O que leva uma pessoa a pensar em matar a pessoa amada? Essa é uma pergunta que tem sido feita pelas pessoas diante de tantos crimes passionais. Nesta semana, a FOLHA publicou três casos que envolvem a separação de casais. Inconformados com perda da relação, três homens fizeram as ex-mulheres de reféns.
Hélio Roque Ferreira Filho, de 38 anos, foi preso anteontem à noite, após denúncias anônimas que levaram policiais a uma chácara na divisa entre Londrina e Cambé. Ele mantinha a ex-namorada, uma adolescente de 17 anos, em cárcere privado, forçando-a manter relações sexuais e a agredindo constantemente.
De acordo com o porta-voz da Polícia Militar, capitão Sidnei Fernandes Garcia, no local, o agressor estava na companhia de outros quatro homens. Eles alegaram que a menor é usuária de drogas e, por isso, sempre estava no local. Ao chegar na residência da mãe, os policiais encontraram a garota desacordada por conta das agressões. ''A mãe confirmou que ele batia muito na garota porque ela não queria mais ficar com ele. A garota não podia fazer nada porque a família era alvo constante de ameaças'', disse.
O homem foi encaminhado na 10 Subdivisão Policial e a garota para a Delegacia da Mulher. Ele deverá ser indiciado por estupro de vulnerável e pela Lei Maria da Penha.
Na tarde de quarta-feira, Ademilson Henrique Vieira, 28 anos, se rendeu após manter refém a ex-mulher Jéssica Tatiane Soares, 21 anos, durante 25 horas, em Paranavaí (Noroeste). Vieira alegou sofrer de depressão e estava inconformado com a separação de uma relação que durou dois anos e meio. O casal tem uma filha de três anos.
Outro caso que terminou com a prisão de um homem ocorreu em Curitiba, na segunda-feira, dia 26. Um garçom de 43 anos manteve a ex-mulher, de 31 anos, a enteada, 9, e uma vizinha, sob a mira de um revólver durante quatro horas. O casal estava separado havia seis meses e também tem uma filha de três anos.
Tendência
Para a psicóloga clínica Josani Campos, especialista em Psicanálise, é difícil relacionar os três casos, pois ela afirma que cada um deve ser analisado com especificidade.
Porém, a especialista londrinense observa que os casos de Paranavaí e de Curitiba estão relacionados a uma questão de ciúmes e a não aceitação do término. ''Já o caso da adolescente é um pouco mais grave, pois o rapaz demonstra uma tendência à agressão. Me parece algo mais perverso, obrigando-a ficar presa e forçando-a manter relações sexuais. Esse rapaz não agiu só por impulso. Ele tem uma séria dificuldade em lidar com essa situação'', afirma.
Josani explica no dia a dia é comum as pessoas não aceitarem uma separação ou um término de namoro e, em um momento de descontrole, agir por impulso e fugir completamente do controle. ''Quando ela percebe, já fez. Então, ela terá que lidar com as consequências do ato'', ressalta.
Em momentos de distúrbio comportamental, a pessoa que mais sofre é a mais próxima. Segundo a psicóloga, a sociedade hoje vive uma era onde tudo é mais rápido e as pessoas não param muito para analisar determinadas situações. ''Acho que antes as ocorrências também não eram tão divulgadas pela mídia. Hoje todo mundo tem mais acesso e as pessoas também têm mais responsabildade e são mais estressadas. Fica mais difícil lidar com a perda'', salienta.
Em relação ao ciúmes, Josani afirma que é um sentimento normal do ser humano, mas que ele pode ser tornar um problema quando a intensidade gera uma crise, que levará a pessoa a perder o controle e agir. ''No momento em que a pessoa não pensa e parte para a ação, ela pode vir a se arrepender. Mas quando a estrutura de personalidade estiver em um quadro grave, ou seja, mais voltada para o lado perverso, é menos possível dela se arrepender'', comenta.

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