A pediatra Suely Delattre Cicero, 40 anos, emociona-se ao falar da luta dos bebês. Em nove anos de batalhas nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) dos hospitais Evangélico e Universitário (HU) de Londrina, ela confessa que não presenciou caso como o do quarteto. Mesmo passando por inúmeros exames de sangue, raios-X, e recebendo cuidado intenso de cerca de 90 auxiliares de enfermagem, os perigos prontos a levar a vida de qualquer um dos pequenos surgiram às dezenas. Os primeiros foram os problemas respiratórios.
Os pulmões são os últimos órgãos que se formam. A falta de uma substância conhecida como surfactante, responsável por mantê-los abertos para que a respiração aconteça, causa a formação de membranas que impedem a passagem de gases e diminue o volume do órgão. A enfermidade é conhecida como doença da membrana hialina, e pode levar o bebê à morte se não for bem tratada.
Giovana e Débora também tiveram problemas mais graves com pneumonia. A imaturidade dos sistemas e os procedimentos invasivos, como a introdução de sondas e cateteres, costumam trazer a infecção hospitalar. As crises convulsivas também foram uma provação: três dos irmãos sofreram com o mal.
Ela acredita que não foi só a medicina que os salvou. Também foi fundamental o amor dos pais, o carinho e atenção dispensados aos gêmeos. ''A família é decisiva, os pais foram muito importantes. Estiveram juntos com os filhos por todo o tempo, e sempre manifestando o desejo de manter e criar eles todos'', lembra Suely, sem conseguir esconder as lágrimas da emoção.

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