Amor de irmãos, exemplo de fé
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quarta-feira, 18 de outubro de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Ricardo doa o rim para Rosimeire, tem complicações na cirurgia, mas diz: ''não me arrependo de nada, o que importa é que minha irmã está bem''. Esta história poderia ser tema de programa vespertino de televisão ou o resumo de um filme publicado diariamente nos jornais. Nenhuma das alternativas. Os personagens são reais, moradores da Zona Leste de Londrina e exemplo de bondade e fé.
Aos 31 anos, o frentista Ricardo Augusto da Silva resolveu ajudar a irmã, Rosimeire Aparecida Augusto da Silva, de 35 anos, a se livrar das sessões de hemodiálise a que se submetia semanalmente. ''Ela já não aguentava mais, acho que nem ia conseguir se formar'', conta, fazendo referência ao título de pedagoga que ela estava prestes a conseguir.
Rosi, como é chamada, admite que estava realmente cansada e viu no transplante uma esperança. ''Minha mãe é quem ia doar. Fez todos os exames, mas antes da cirurgia apareceu um probleminha. Fiquei desanimada. Aí o Ricardo se prontificou. Foi a maior alegria da minha vida'', revela.
Mas tal qual uma novela, as complicações que impedem um imediato final feliz começaram a aparecer durante a cirurgia de retirada do rim esquerdo dele. A operação complicou, ele teve uma infecção hospitalar, perdeu o baço, surgiram coágulos no pulmão e o intestino foi perfurado. ''Falam que foi por conta da infecção hospitalar, mas eu entrei bom. Tinha feito uma bateria de exames que comprovam isso. Acabei saindo ruim da sala de cirurgia. Não sei se foi erro médico''.
Com uma tranquilidade peculiar, Ricardo garante que não quer saber quem errou, não vai acionar o hospital (a reportagem preservou o nome da instituição a pedido da família), e nem a equipe médica. ''Quero ficar bom e voltar a trabalhar. Ia ficar só um mês parado e já estou sem trabalhar há cinco''. Sempre sorrindo, dá exemplo de fé: ''A todo momento sabia que Deus estava comigo. Só queria ajudar minha irmã''.
Rosimeire tem discurso parecido. ''Eu alguns momentos me arrependi e me culpei por tudo o que meu irmão estava passando. Mas minha mãe sempre foi muito católica e nos ensinou a crer em Deus. Eu sabia que Ele não ia punir uma pessoa que só queria fazer um gesto de amor. Sabia que o Ricardo ia sair daquela situação. Hoje, o considero meu irmão como meu pai, porque ele me deu uma segunda vida'', declara, com alegria contagiante na voz.
No posto de combustíveis onde trabalha, os amigos e clientes de Ricardo não vêem a hora de Ricardo voltar à atividade. ''Mais que como empregado, ele faz falta como pessoa'', enfatiza o proprietário do estabelecimento, Carlos Roberto de Souza. Sem medir os elogios, conta que o frentista é exemplar no que faz, tem reconhecimento de todos e o mais importante: ''Todas as manhãs, ele deseja um bom dia e a gente percebe que ele realmente quer aquilo para a pessoa.''


