'Amor bandido' é o assunto de hoje
O tema é sugestivo: ''Amor bandido: você tem certeza que quer sofrer outra vez?'' A palestra, proferida pelo psicólogo Roosevelt Starling, de Minas Gerais, faz parte do segundo dia de exposições abertas ao público pelo XII Encontro Brasileiro de Psicoterapia e Medicina Comportamental. Junto com outras quatro, ela tem início às 19h30. A entrada é franca.
A conotação de bandido, nesse tipo de distúrbio, não estaria relacionada à suposta criminalidade de um dos envolvidos no relacionamento afetivo, mas à capacidade de fazer o outro sofrer. ''São aquelas pessoas que têm uma tendência a se relacionar com parceiros problemáticos'', define. ''O problema inicial surge em não se discernir certos sinais que poderiam prenunciar, por exemplo, que aquele galã de olhos lindos trata mal o garçom do bar'', compara o psicólogo, para quem a explicação é simples: ''Tendemos a prestar atenção só nas qualidades, não nos defeitos do outro'', afirma.
Ele se lembra de uma paciente que procurou ajuda depois de sofrer com um desses amores: ''Ela se relacionava com um rapaz que havia deixado o filho em pleno Dia dos Pais para ficar com ela. Isso, na fase de conquista. Mais tarde, a probabilidade de ele a deixar para ficar com outra era bem grande'', contou. Na análise do comportamento, outros sinais valem como dicas para evitar esses ''bandidos'' o principal é perceber, no caso das mulheres, como o parceiro trata a mãe ou as irmãs. E existe tratamento para isso? ''Sim. Ensina-se a pessoa a perceber os sinais e responder a eles apropriadamente, e não se deixar levar de imediato. Nesses casos é bem comum ter a ilusão de que se ama o outro, quando, na verdade, o que é amado são as sensações que esse outro desperta'', ensina.
Se relacionamentos afetivos são tema de duas das cinco palestras, o medo toma conta da temática de outras duas. ''Sem medo de ter medo'', apresentada pelo psiquiatra Tito Paes de Barros Neto, do Ambulatório de Ansiedade do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo, aborda que esse tipo de sensação é algo bom, se dosado. ''Exagerado ou irracional, o medo se torna uma doença e gera as fobias e os pânicos.''
No caso das fobias, desencadeadas por algum objeto, as mais comuns são as relacionadas a altura, cães, lugares fechados, sangue e trânsito. Já o pânico não tem um desencadeador definido: ''São ataques inesperados de ansiedade que geram reações físicas intensas, como taquicardia e falta de ar'', enumera. Entretanto, apesar de para ambas haver tratamento, o conselho é um só: ''Não se pode evitá-los ou driblá-los; a saída é enfrentar nossos medos.''





