Edson MazzettoSafra ameaçadaMáquina agrícola à margem de rodovia na região de Cascavel: sindicato propõe alargamento de margensPrefeitos da Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (Amop) estão preocupados com os reflexos do Código de Trânsito sobre o setor rural. Um dos problemas apontados por eles é o do deslocamento de máquinas agrícolas por rodovias. Pela legislação, elas devem ser transportadas em caminhões equipados com plataformas especiais.
Para debater o assunto, os prefeito ouviram palestra proferida pelo comandante da Polícia Rodoviária Estadual em Cascavel, José Carlos Augusto Pinto. As palestras são realizadas também em sindicatos e outras entidades interessadas. Segundo o sub-comandante Daniel dos Santos, a lei contribui para reduzir o número de acidentes nas rodovias, mas em situações especiais a Polícia Rodoviária poderá deslocar viaturas para servir de ‘‘batedores’’ na frente das colhedeiras, quando o trecho a ser percorrido for curto.
Para tratores, são exigidas luzes de sinalização dianteiras e traseiras. Os condutores devem ter habilitação nas categorias C, D ou E. A Polícia Rodoviária em Cascavel elaborou um manual com esclarecimentos sobre a legislação, inclusive no meio rural. Informações sobre transporte de bóias-frias e movimentação de carroças e animais estão contidas no documento.
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Cascavel, Nelson Menegatti, a alternativa ao uso de caminhões especiais para transportar as máquinas agrícolas poderia ser a abertura de caminhos rudimentares às margens de rodovias, nas regiões onde se pratica agricultura mecanizada.
Ele justifica que não haveria dificuldades e nem custos significativos para abrir esses caminhos, devido ao aproveitamento da faixa de domínio das rodovias. Essa alternativa, argumenta Menegatti, evitaria desapropriações e exigiria apenas o patrolamento, quando necessário, para permitir o tráfego das máquinas em condição de segurança. A alternativa foi apresentada ao governador Jaime Lerner (PFL) em carta enviada pelo sindicato.
No início de março, a Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo) enviou carta aos órgãos que regulamentam o trânsito no País pedindo mudanças urgentes no Código Brasileiro de Trânsito. O documento, assinado pelo presidente da cooperativa, José Aroldo Gallassini, diz que a nova legislação torna inviável o trabalho dos agricultores, que não podem mais trafegar com tratores e colheitadeiras nas rodovias.
Na oportunidade, a Coamo propôs a liberação do tráfego de veículos agrícolas pelas vias públicas. Na opinião de Galassini, a obrigação do transporte de colheitadeiras em caminhões só vai gerar multas que resultarão em mais prejuízos para os agricultores. ‘‘Quem elaborou a lei não atentou para a realidade do campo’’, protestou, na época. Para ele, a exigência impede que o produtor rural exerça a atividade agrícola.

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