O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Petroquímica (Sindiquímica) está denunciando a inexistência de um plano de emergência na Ultrafértil – empresa de fertilizantes de Araucária (Região Metropolitana de Curitiba) – para casos de acidentes com amônia, substância aquosa do amoníaco.
De acordo com o diretor de finanças do sindicato e operador de processos da Ultrafértil há 14 anos, Otêmio Garcia de Lima, a empresa mantém diversos tanques com amônia. O maior deles tem capacidade para 10 mil toneladas do produto. ‘‘Não existe qualquer tipo de plano de emergência ou de evasão para a retirada das famílias que moram nas proximidades no caso de vazamento do gás, que pode provocar queimaduras e até a morte’’, declarou ele.
O Sindiquímica tem registrado diversos casos de trabalhadores que ficaram cegos ou tiveram que se aposentar por problemas decorrentes de acidentes com a amônia. Em contato com o ar, a amônia se transforma num gás tóxico. Um destes casos aconteceu com um trabalhador de apenas 28 anos e que recebeu um jato de amônia no rosto. Ele perdeu parte da visão e já tentou três transplantes. ‘‘É um risco em potencial. Não dá para expor a comunidade a um risco tamanho’’, alertou Lima.
Segundo o sindicalista, a empresa possui uma brigada de emergência com apenas oito componentes. Além disso, os treinamentos não são periódicos. ‘‘Não há investimentos em questões preventivas. A ação que eles desenvolvem geralmente é corretiva e não preventiva’’, alertou. No ano passado, de acordo com Lima, todos os componentes da brigada ameaçaram renunciar por causa da falta de treinamento e das péssimas condições de trabalho.
As preocupações relacionadas à prevenção de acidentes foram encaminhadas para o Ministério Público de Araucária, que já estuda as causas de uma explosão ocorrida na empresa em outubro de 1998. Na oportunidade, uma lavadora de alta pressão da unidade 33, que produz uréia, explodiu durante a madrugada. Ninguém ficou ferido. As investigações estão sendo feitas pela promotora Stela Maria Flores Floriani Burda, que solicitou documentação sobre o assunto e analisa a resposta da empresa.
Outro ponto destacado pelo sindicalista foi o alerta da empresa, que não tem sido usado em casos de vazamentos. ‘‘Antes, quando havia um vazamento, a empresa acionava imediatamente a sirene de emergência. Este ano tivemos uns dez casos de vazamento por problemas com equipamento. Não houve qualquer alerta com sirene’’, acusou.

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