Lino Ramos Especial para a Folha
A Associação Médica de Londrina (AML) está propondo a criação de um pronto-socorro municipal para amenizar a superlotação enfrentada pelos hospitais Evangélico, Universitário e a Santa Casa. Na avaliação do presidente da AML, Pedro Garcia Lopes, o novo local de atendimento poderia reduzir em até 50% o número de pessoas atendidas pelos hospitais. ‘‘Poderíamos ter um pronto-socorro central ou três ou quatro unidades menores’’, sugere.
Segundo Lopes, a proposta da classe médica deverá ser apresentada durante a Pré-Conferência Municipal de Saúde, que será realizada em outubro. O presidente da entidade lembra que Londrina já viveu essa experiência durante a gestão do prefeito Dalton Paranaguá (1969-73).
Mas a idéia encontra barreira na falta de dinheiro. O secretário municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, até concorda com a proposta, mas alega que o Município não tem recursos para uma obra dessa natureza. ‘‘A idéia é interessante, mas economicamente é inviável’’, argumenta.
De acordo com o secretário, o município já está investindo 25% de sua receita no setor, o que representa aproximadamente R$ 3 milhões. ‘‘Além de ser uma construção cara, a manutenção desse tipo de serviço tem custo muito alto’’, justifica Bedrossian. Segundo ele, somente o Pronto-Atendimento Infantil (PAI) emprega atualmente mais de 220 pessoas com um custo mensal em torno de R$ 400 mil. ‘‘O PAI reduziu os atendimentos de urgência e emergência em todos os hospitais. São 7,5 mil consultas ao mês’’, justifica.
A distribuição de uma cartilha orientando a população a procurar os postos de saúde antes de ir a um pronto-socorro também é defendida pela Associação Médica. ‘‘O que nos preocupa é o doente não passar pelo posto. Hoje, por exemplo, é difícil internar alguém com um tumor cerebral por causa da superlotação’’, afirma Pedro Lopes.
A Associação Médica ainda propõe a implantação de uma rede informatizada para controlar o fluxo de doentes pelo sistema municipal de saúde e adoção do cartão SUS. Esse documento seria fornecido somente às pessoas com domicílio eleitoral em Londrina, reduzindo o número de atendimentos a pacientes de outras cidades.
De acordo com o secretário de Saúde, a cartilha com orientações sobre a correta utilização dos postos e hospitais deve sair no início de julho, com uma tiragem de 50 mil exemplares. Agajan Bedrossian reconhece que o atual sistema informatizado das unidades básicas é obsoleto. Mas, segundo ele, a criação de uma nova rede depende da implantação de um sistema de cabos de fibra ótica na região dos postos municipais. Quanto ao cartão SUS, o secretário diz que se trata de uma idéia em estudo pela Autarquia Municipal dos Serviços de Saúde.

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