AML isenta médicos em denúncia de erro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de outubro de 2000
Telma Elorza De Londrina 
A Associação Médica de Londrina (AML) está publicando uma nota de repúdio à manifestação organizada, na última sexta-feira, por familiares da enfermeira Maria Jeir da Rocha, 67 anos, vítima de um suposto erro médico. A AML classifica a manifestação e os panfletos que estão sendo distribuídos como uma tentativa de desmoralizar médicos.
Na sexta-feira, os familiares e amigos da enfermeira começaram a distribuir 60 mil panfletos em protesto contra o Hospital Evangélico que, segundo eles, não estaria cumprindo a determinação judicial de custear o tratameto da enfermeira. Houve um princípio de tumulto quando a manifestação chegou em frente ao hospital.
Maria Jeir foi submetida a uma cirurgia cardíaca em 23 de julho de 1998 para receber uma ponte de safena e uma mamária, realizada pela equipe do médico Francisco Gregori. Alguns dias depois da cirurgia, foi constatado que a paciente tinha sido contaminada por mercúrio, através de um aparelho denominado manômetro. A família dela entrou com uma ação na Justiça responsabilizando o hospital e a equipe médica pela contaminação.
Segundo o presidente da AML, o neurologista Pedro Garcia Lopes, a publicação da nota surgiu da necessidade de não deixar que as pessoas façam acusações levianas. O que aconteceu com a paciente foi no pós-operatório. A própria Comissão de Ética do Hospital Evangélico concluiu que não houve indícios de erro por parte da equipe médica, disse.
Para o presidente, a AML não está fazendo corporativismo já que no próprio processo existem declarações que isentam os médicos de culpa. Infelizmente o processo corre em segredo de justiça. Mas eu posso afirmar com certeza que não são os médicos que mexem com esse aparelho, é a equipe de enfermagem, disse. Questionado sobre o fato da nota apontar a responsabilidade para o Hospital Evangélico, Pedro Garcia Lopes que a AML não está acusando ninguém. Só quero dizer que a aparelhagem é do hospital, assim como a equipe técnica para cuidar dela, resumiu.
Contatada pela Folha , através da assessoria de imprensa, a diretoria do Hospital Evangélico preferiu não se manifestar já que o caso está sendo discutido na justiça.


