Amizades e clientes fiéis
Bem no Centro de Londrina, os Ajimura também enfrentavam uma luta contra a poeira que subia da Rua Sergipe e pairava sobre os balcões de madeira, presentes até hoje no bazar que leva o nome da família. ''Nos sábados, essa rua ficava lotada de caminhões que traziam os trabalhadores rurais para fazer compras no comércio. Eles chegavam aos montes'', lembra o proprietário Tadamasu Ajimura.
A fachada está conservada desde a inauguração, em 1948, assim como os balcões de madeira que até hoje servem como vitrines das miudezas comercializadas há mais de 60 anos. ''Nosso forte sempre foram os aviamentos, pois antigamente as mulheres costuravam muito mais. Hoje não, a gente vende de tudo um pouco. Desde presentes até malas de viagem'', diz.
A família Ajimura também veio em busca de melhores condições de vida, apostando na oferta de trabalho dos cafezais. Com dedicação, eles conseguiram se mudar para o Centro de Londrina e abriram as portas do próprio negócio, que até hoje é reconhecido pela variedade de produtos.
Desde os oito anos trabalhando no balcão, Tadamasu relembra os tempos em que toda a Rua Sergipe era tomada por comerciantes, em sua maioria, de famílias japonesas. ''Aqui era conhecido como a Rua Galvão Bueno que fica em Liberdade, em São Paulo porque era muito japonês trabalhando com comércio'', revela.
Hoje, aos 71 anos, ele se mira no exemplo da mãe Tokiko, que aos 94 anos continua sendo a primeira a entrar no bazar e a última a sair. ''Ela nunca deixou de trabalhar. Até hoje, é ela quem faz a compra de aviamentos e também atende no balcão. Ela é totalmente lúcida e bem de saúde. Acho que isso é o reflexo da mulher batalhadora que ela sempre foi'', comenta.
Tantos anos dedicados ao trabalho também renderam aos Ajimura muitas amizades e clientes fiéis, como a dona de casa Maria de Fátima de Souza, que faz questão de levar as filhas e netos para comprar no bazar. ''Aqui você encontra de tudo e sempre com qualidade. Tem muita loja com produtos muito baratos, mas que não duram nada. Além disso, aqui eu encontro coisas antigas, como aquelas caixinhas lá'', diz, ao apontar uma pilha de caixas de papel com lenços de mão. ''Tem muita gente que ainda gosta dessas coisas mais antigas'', completa. (M.O.)





