Ibiporã - Cansado de esperar a cirurgia por parte do Sistema Único de Saúde (SUS), Kauê Neves Pacheco, de 21 anos, e alguns amigos retiraram do corpo do rapaz um projétil de calibre 380, que estava alojado próximo ao ombro direito dele havia quatro anos. Tudo foi gravado (o vídeo está disponível na Folha Web). As cenas ganharam as redes sociais e atingiram 20 mil visualizações em 30 dias. Porém, o jovem afirma que seu objetivo não é ficar famoso e sim expor o próprio desespero, pois não suporta mais aguardar uma cirurgia.
No dia 20 de agosto de 2010, Kauê escapou milagrosamente da morte após levar oito tiros. O crime aconteceu em Ibiporã, na Região Metropolitana de Londrina. Depois de passar semanas internado no Hospital Universitário de Londrina (HU), correndo risco de morte, o jovem passou por inúmeras intervenções médicas, entre elas de reconstrução de tórax, e conseguiu resistir e sair com vida do internamento. Mas três projéteis ficaram alojados no corpo dele.
Porém, este não foi o maior problema enfrentado pelo rapaz no pós-operatório. O organismo de Kauê rejeitou os fios de sutura de metal usados na reconstrução do tórax. Segundo ele, a situação é delicada. Parte do material cirúrgico já começa a ser expelido. Mesmo com a variedade de tatuagens que possui, o metal ainda ganha destaque em seu corpo.
"Esse material já se infeccionou no peito, que rejeitou o fio. Isso me causa muita dor desde quando recebi alta. Além do grande desconforto", desabafa Kauê. "Fui avaliado pelo HU, que há 30 dias liberou minha cirurgia. Mas o agendamento depende do SUS e ainda não foi feito. Estou sofrendo essa injustiça há quase cinco anos", salienta.
A reportagem questionou a assessoria de comunicação do HU sobre o caso de Kauê e foi informada que existem dois retornos do jovem registrados na instituição. O primeiro em agosto de 2013 e o segundo em outubro de 2014, no Hospital Ambulatório de Especialidades do HU, quando o jovem recebeu autorização do hospital para que fosse retirado dele o "corpo estranho" (fios de sutura de metal) em uma cirurgia torácica. No entanto, o HU é "público e prioriza os casos mais graves", entre eles de pacientes com câncer de pulmão. Ainda segundo a assessoria, existem 167 pessoas aguardando a mesma cirurgia e que não há uma previsão para que a de Kauê seja agendada.

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