Amigos do Barigui são contra réveillon
Emerson Cervi
De Curitiba
Ambientalistas iniciam uma ofensiva para impedir a megafesta que a Prefeitura de Curitiba está programando para o Réveillon do ano 2000, no Parque Barigui, o mais tradicional da cidade. A Associação dos Moradores e Amigos do Parque Barigui (Amaparque) tenta fazer com que o prefeito Cassio Taniguchi (PFL) mude de idéia e transfira a comemoração para outro local. A alegação da vice-presidente da Amaparque, Angela Cristina Macedônio, é que o megaevento causará grandes prejuízos à fauna e flora do local. Não somos contra a festa da prefeitura, só defendemos que ela aconteça em local mais apropriado, alega.
Integrantes da Amaparque chegaram a marcar uma audiência com o prefeito para solicitar a transferência da festa, mas o encontro foi cancelado. O Barigui é uma área de preservação de araucárias, onde existem inúmeros ninhos de aves terrestres e aquáticas que fazem postura no solo e algumas espécies estão listadas em risco de extinção, defende Angela.
A direção da Associação enviou a denúncia ao Ministério Público e espera uma resposta na próxima semana da Promotoria de Defesa do Meio Ambiente. Os moradores e amigos do parque vão pedir que os promotores de Justiça solicitem um Relatório de Impacto Ambiental (Rima) antes de permitir a realização da festa. Estamos analisando a possibilidade de pedir liminar judicial para suspender a realização da festa pública no parque Barigui, avisa a representante da entidade.
Taniguchi reagiu com ironia ontem, ao saber da reivindicação. Agora vocês querem que eu feche todos os parques? Apesar do protesto, o prefeito já avisou que pretende manter o local do evento e não fala em rever o impacto ambiental da festa. Pela previsão da prefeitura, a festa de réveillon custará R$ 500 mil. Foram contratadas 35 bandas para tocar na noite de 31 de dezembro. Haverá um show pirotécnico com 20 minutos de duração. A organização está prevendo a atração de um público de até 100 mil pessoas para o local. A prefeitura colocará ônibus gratuitos para fazer o transporte das pessoas de diversos bairros da cidade e de outros municípios da região metropolitana.
O Barigui não tem estrutura para receber essa demanda de pessoas, não haverá nem sanitários suficientes para a platéia dos shows, assegura a vice-presidente da Associação. Angela Macedônio lembra que são proibidos os fogos de artíficio na estação ecológica da Ilha do Mel. Assim como na ilha, no parque também existem espécies de aves em risco de extinção que serão estressadas pelo barulho e bagunça dos populares. O prefeito poderia usar esses R$ 500 mil para fazer o desassoreamento do lago do parque.Ambientalistas são contra a megafesta de réveillon que a prefeitura de Curitiba programou para o parque
Kraw PenasSEM COMEMORAÇÃOA vice-presidente da Amaparque, Angela Cristina Macedônio, pede para que o réveillon do ano 2000 não seja no Parque Barigui





