Curitiba - O domingo em Curitiba foi marcado por uma passeata contra a violência organizada pelos amigos do estudante de Direito Osíris Del Corso, assassinado no último dia 31 de janeiro, no Morro do Boi, em Caiobá (Litoral). Cerca de 350 pessoas participaram da manifestação, vestindo camisetas brancas e portando faixas e cartazes nos quais pediam paz e mais segurança.
O crime ocorreu quando Osiris e sua namorada tentavam chegar à praia dos Amores por uma trilha no Morro do Boi. Eles foram abordados por um homem que tentou estuprar a moça. Osíris foi baleado na tentativa de defendê-la e morreu na hora. A moça também foi atingida por tiros. Horas mais tarde, o criminoso voltou ao local do crime e a violentou. Ela está internada em estado grave na Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital Vita, na Capital, e pode ficar paraplégica. A assessoria de imprensa do hospital informou ontem que a data da saída da UTI deve ser divulgada hoje.
Muito emocionados, os pais do rapaz, que participaram da caminhada, disseram que o movimento pretende demonstrar a indignação da família com o caso. Para o pai, Sérgio Luis Del Corso, apenas um projeto de justiça social a longo prazo pode evitar crimes como esse. ''A gente espera que possamos escolher melhor os nossos representantes e que eles tenham um projeto a longo prazo, pois enquanto houver uma criança nos semáforos nós teremos situações de violência'', disse. Os pais afirmaram ainda que a ideia é dar sequência aos projetos sociais em que o filho participava.
Para o pai da namorada de Osíris, que também participou do evento, o rapaz é um herói. ''Em defesa da vida dela, ele perdeu a vida, salvando a vida da minha filha'', disse emocionado. O único pedido do pai agora é pela prisão do criminoso. ''Desejo que as autoridades se empenhem mais, procurem atuar mais porque um indivíduo desses pode machucar outras pessoas, ele precisa ser preso'', afirmou. Apesar de ainda não existirem resultados concretos da investigação, os familiares das vítimas disseram estar confiantes no trabalho da polícia.
Para o amigo e um dos organizadores da passeata André Átila Mendes, o principal significado da passeata é a luta por mais segurança e menos impunidade. ''É a impunidade correndo solta e isso não pode acontecer porque gera mais criminalidade, uma vez que o bandido tem certeza de que não será punido'', disse. Ele acredita também na recuperação da amiga. ''Ela é uma pessoa muito guerreira, muito forte, e isso faz com que a gente tenha esperança'', afirmou.
No final da caminhada, que teve início na Praça Santos Andrade e percorreu as ruas XV de Novembro e parte da Marechal Floriano, terminando no Largo da Ordem, mais uma homenagem. Os amigos e familiares entregaram rosas brancas à população em troca de um sorriso. O ato faz parte de um projeto do Rotary Club do qual Osiris fazia parte, chamado Soldado da Paz. O evento foi encerrado com uma oração e canções acompanhadas de palmas para lembrar o amigo.

Investigação
O delegado chefe da Divisão do Interior, Luiz Alberto Cartaxo Moura, disse que, nesta semana, deve sair o retrato falado definitivo do suspeito do crime. Na descrição anterior, o criminoso teria 1,80 m de altura, 100 kg, seria moreno-claro com entradas no couro cabeludo, forte e com aproximadamente 30 anos. A polícia continua os trabalhos em Matinhos para capturar autor do crime. (Colaborou Andréa Bertoldi).

mockup