Marcos NegriniNova versãoJ.L.S. e R.D.F. relatam o que ouviram de um dos meninos que estava junto com Tadeu na noite do crimeAmigos do estudante Tadeu Delfino Soares, 15 anos, morto em Maringá pelo terceiro-sargento da Polícia Militar, Antônio Carlos da Silva, 38 anos, na madrugada de domingo, contestam a versão policial de que o menor estava com uma arma de brinquedo. Eles também afirmam que o policial disparou vários tiros, mesmo depois de ter acertado Tadeu. J.L.S., 21 anos, e R.D.F., 20 anos, não são testemunhas do crime. Eles fazem as afirmações baseados no relato de um dos meninos que estava junto com Tadeu na noite do crime.
De acordo com a versão policial, Tadeu e mais três garotos foram abordados em situação suspeita próximos a uma banca de revistas, no centro de Maringá. Durante a abordagem, dois garotos teriam saído correndo, mas foram detidos por um policial. Outro garoto conseguiu fugir e Tadeu, que também corria dos policiais, foi alvejado com um tiro nas costas. Os policiais militares apresentaram uma pistola de brinquedo na 9ª Subdivisão Policial. De acordo com boletim de ocorrência da PM, a arma de brinquedo e um canivete estavam em poder dos garotos. Tadeu, ainda segundo a polícia, teria empunhado a pistola com as duas mãos para frente, o que teria provocado o disparo do policial contra ele.
Os garotos E.M.C., 15 anos, e G.C.G., 15 anos, foram detidos pelos PMs e encaminhados para a 9ª SDP. Eles afirmaram que não tinham participado do arrombamento da banca de revistas e que tinham encontrado com Tadeu e A.B., 15 anos, poucos minutos antes da abordagem policial. De acordo com J.L.S. e R.D.F., os dois mentiram na delegacia por medo dos policiais.
Um dos meninos, segundo J.L.S., contou a verdade para ele e para R.D.F na noite de domingo, logo após o enterro de Tadeu. ‘‘Ele nos disse que os quatro participaram do vandalismo na banca de revista e que eles não tinham a intenção de roubar’’, disse J.L.S. Ainda na versão dos garotos, E.M.C. teria sido o primeiro a dar um chute na banca de revistas. ‘‘Quando os demais viram um pedaço da banca quebrado, também começaram a dar chutes, e as revistas caíram’’, afirmou J.L.S.
Os quatro garotos levaram parte das revistas e depois resolveram voltar para pegar outras. Foi na volta deles, conforme J.L.S., que os policiais os identificaram e fizeram a abordagem.
De acordo com J.L.S. e R.D.F., quando os policiais chegaram no local, os quatro ficaram com medo e começaram a correr. Tadeu saiu em uma direção e foi alvejado pelas costas. ‘‘O policial, conforme disse um dos meninos que mentiu na delegacia, acertou o primeiro tiro em Tadeu e continuou atirando, disparando mais quatro vezes em direção a E.M.C., que só não foi atingido porque se jogou no chão e esperou que os policiais chegassem’’, disse R.D.F.
E.M.C. e G.C.G. foram detidos pelos policiais e conforme os dois amigos, levados para um terreno baldio, próximo ao supermercado Mercadorama. ‘‘Neste local, os dois ficaram dentro da viatura e um dos policiais deu vários tiros. Depois os policiais voltaram ao local do crime e esperaram outra viatura para levar o corpo do Tadeu. Em seguida, eles levaram os garotos para a delegacia’’, disse J.L.S. Segundo ele, os dois garotos mentiram na delegacia porque estavam com medo dos policiais. Um dos garotos, disse J.L.S., vai se apresentar ainda esta semana na delegacia para apresentar a segunda versão do caso.
J.L.S. e R.D.F. têm medo de represálias e por isso só divulgaram as iniciais dos nomes. Eles afirmam que conhecem os quatro garotos há vários anos e que nenhum deles tem pistola de brinquedo. Os dois disseram ainda que estiveram com os quatro meia hora antes do crime. ‘‘Se eles tivessem com a arma de brinquedo teriam mostrado para a gente, com certeza’’, afirmou R.D.F. Eles contestam também o laudo do Instituto Médico-Legal que informa que Tadeu tinha 1,70 metro de altura. ‘‘Ele tinha 1,61 metro. Era franzino e aparentava ter 13 anos’’, disseram.
Segundo J.L.S. e R.D.F., entre os três garotos o mais corpulento é E.M.C. ‘‘Os policiais viram que eles eram adolescentes e que estavam fugindo porque ficaram com medo. Não tinha necessidade de atirar em ninguém como o policial fez. O Tadeu foi morto como um animal’’, revolta-se J.L.S.

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