Curitiba Há quase 25 anos, todo início de ano a ex-bancária Sonia Hoffmann volta à sua terra natal, em Jacarezinho, no Norte Pioneiro, para colher romãs nas chácaras de parentes. A fruta, conhecida como ''fruta dos reis'', por causa da pequena coroinha que tem em uma das pontas, é a estrela de uma simpatia que Sonia aprendeu em 1978 e realiza no dia 6 de janeiro, Dia de Reis. Ontem não foi diferente. A partir das 19 horas, mais de 100 pessoas passariam pelo salão de festas do edifício onde a simpatia seria realizada, para garantir os seis pedidos a que tinham direito. Afinal, além de fruta dos reis, a romã também é considerada fruta da prosperidade, riqueza, alegria e união.
''Eu não sei qual a origem da simpatia'', comentou. Ela conheceu na casa de de amigos que preparavam um lanche e reuniam cerca de dez pessoas para fazer a simpatia. O número de participantes foi crescendo e há alguns anos Sonia decidiu realizar o encontro em um salão de festas.
Sonia tem uma teoria para explicar o crescimento no número de participantes, todos os anos. ''99,9% das pessoas que vêm uma vez, vêem que deu certo, voltam no próximo ano e acabam trazendo mais gente para participar'', diz. O mais interessante é que quase todas as pessoas que participam, além de fazer a simpatia para elas, também fazem para outras pessoas. No final, os 100 participantes realizam mais de 200 simpatias.
''A simpatia de Reis já tem até franquia'', brinca Sonia. Ela refere-se aos amigos que conheceram a ''brincadeira'' com ela e hoje fazem em Londrina, Blumenau, Brasília e Jacarezinho. O clima é um misto de magia com festa. É que os participantes aproveitam a ocasião para fazer uma pequena festa. Para isso, cada um leva algo para beber e comer. Este ano foi pedido também um quilo de alimento não perecível, que será doado à Missão SOS Vida, entidade que atende três casas-lares de crianças em situação de risco.
A simpatia é simples. Mas é preciso seguir um pequeno ritual. Seis pessoas ficam em volta de uma mesa. A partir da coroinha da fruta, corta-se a romã em seis partes, que são distribuídas entre os seis participantes. Cada um escolhe as 12 sementes mais bonitas do seu pedaço e joga o restante fora. Uma pessoa começa a roda: enquanto faz um pedido, come uma semente e passa outra para a pessoa à sua direita; faz o segundo pedido, come outra semente e passa outra para a segunda pessoa à direita; e assim sucessivamente, até fazer o sexto pedido e guardar a última semente que sobrou para ela mesma. No final, todos terão recebido uma semente de cada participante e terminarão com seis sementes.
Depois, é só pegar um dos saquinhos de pano costurados antecipadamente por Sonia, colocar as sementes, costurar e carregar o ''amuleto'' o resto do ano junto à carteira de dinheiro. ''Depois é só voltar no ano que vem.''

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