Amigo imaginário é comum na infância
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terça-feira, 03 de julho de 2012
Vítor Ogawa <br> <br> Reportagem Local 
Se o seu filho conversa frequentemente com um amigo imaginário, isso não precisa ser motivo de desespero. Uma pesquisa do Instituto de Educação em Londres descobriu que 65% das crianças tiveram amigos imaginários. A pesquisa também revelou que esses amigos invisíveis tornam as crianças mais confiantes e mais articuladas.
Segundo a psicóloga clínica Annie Wielewicki, de Londrina, o fato de a criança possuir um amigo imaginário geralmente é saudável, pois estimula a criatividade e desenvolve comportamentos que podem ser utilizados com amigos reais. ''A criança pode desenvolver situações com o amigo imaginário que posteriormente irá vivenciar com os seus amigos reais'', relatou.
As crianças começam a ter amigos imaginários geralmente entre três a sete ou oito anos de idade. A psicóloga explicou que a partir do momento que ela entra em contato com outras crianças na escola e passa a ter um convívio com os colegas, a necessidade de ter um amigo imaginário perde a importância.
Os pais podem desestimular a necessidade do amigo imaginário ao focar o interesse nas coisas concretas e deixando tudo o que é fruto da imaginação em segundo plano. ''No entanto, os pais não devem restringir o contato com esse amigo imaginário de maneira impositiva, mas incentivar o relacionamento com outras crianças'', orientou.
Situações
Caso a criança persista com o amigo imaginário mesmo em idade escolar, ocupando a maior parte do tempo dela nesse relacionamento e sobrepondo o contato com outras pessoas, os pais devem procurar um especialista para tentar identificar o que está provocando isso. Annie informa que por vezes isso acontece porque a criança não desenvolveu habilidades sociais para se relacionar com outros amigos. Em outras oportunidades, as crianças não recebem a devida atenção dos pais e dos amigos e acabam criando situações com o amigo imaginário que não encontram no contexto real.
Embora seja incomum, ocasionalmente esse relacionamento da criança com um amigo imaginário pode revelar uma psicose. ''Se ele sabe que o amigo é imaginário não há problema, mas se ele entender o amigo imaginário como alguém real, isso é um sintoma de um problema psiquiátrico e revela que a criança está tendo alucinações'', alerta a psicóloga.
A especialista observa que crianças que criam amizades com brinquedos, por exemplo, são menos problemáticas do que as que acreditam que um amigo imaginário é real. ''Um brinquedo é algo concreto e é natural que uma pessoa crie afeto por ele'', apontou Annie. Ela explica que isso pode ser solucionado com os pais restringindo o contato da criança com esse brinquedo de maneira não impositiva. ''Mas as alucinações, por sua vez, revelam uma psicose e devem ser tratadas por um especialista'', aconselhou.
Traumas
Annie expõe que traumas também podem gerar nas crianças a necessidade de amigos imaginários, como a morte de um ente querido ou um acidente. Para saber se essa é a causa, basta observar se o trauma alterou o comportamento da criança. ''Quanto mais agressivo, pior é'', observa. Ela relata que atualmente os casos de separação dos pais já não provocam tanto trauma como antigamente, mas a disputa pela guarda por via judicial sim. ''Se for feito de forma violenta para a criança, pode acontecer'', ressalta.
Segundo ela, o abuso sexual também é um evento traumático que pode levar à necessidade de criar um amigo imaginário. Embora seja um dos sintomas, nesses casos não é só isso que define se a criança foi abusada sexualmente. ''Crianças abusadas sexualmente passam a apresentar um comportamento de hiperssexualidade, vestem muitas roupas para dificultar o acesso ao seu corpo, começam a chorar muito e apresentam distúrbios na alimentação e no sono'', enumera a psicóloga.


