Amigo das plantas implora terreno
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terça-feira, 28 de abril de 1998
Célia Baroni 
Mario CesarModo de vidaO Bicho do Paraná José Manoel dos Santos, na casa emprestada que ocupa há cinco anos: Não consigo viver de outro jeitoJosé Manoel dos Santos, de 50 anos, envolvido há mais de 30 anos no estudo do cultivo de plantas, corre o risco de ficar sem um local para trabalhar. Há cinco anos ele ocupa uma casa no centro de Londrina, cedida por uma família. Há 10 dias eles começaram a pedir para eu liberar parte do terreno, alegando que vão fazer reformas. E já estou sem espaço para os meus vasos e projetos, diz Santos.
Em seu trabalho, ele faz constantes visitas às matas da região, de onde traz exemplares de várias espécies de plantas para estudo. Ele verifica se elas se adaptam à vida em vasos, e mantém as plantas em observação para saber se têm alguma utilidade especial. José Manoel Santos desenvolve ainda um trabalho de cultivo de plantas em miniatura. Dedais, pequenas lâmpadas, potinhos, tudo é espaço suficiente para ele cultivar minúsculos vegetais.
Santos completou o 2º grau em uma escola agrícola do Rio Grande do Sul e se mudou para Londrina em 1972. Mas afirma que desde criança cultiva o prazer de trabalhar com plantas. O jeito especial de Santos com as plantas já valeu a ele o título de Bicho do Paraná - campanha desenvolvida pelo governo estadual que conferia o título a pessoas que desenvolvem trabalhos especiais, com fins sociais ou alternativos.
Já fui entrevistado pelo Fantástico (programa dominical da TV Globo). Fui eu que tive a idéia de tratar plantas com música e, na ocasião, disseram que eu era o primeiro do mundo a usar o sistema, conta, enquanto dá corda nas várias caixinhas de música que mantém perto de suas plantas. Como não patenteou a idéia, Santos perdeu qualquer direito de reivindicar renda de produtos lançados depois, que usam a música para tratamento de plantas. Agora ele está envolvido em um projeto para desenvolver um inseticida natural contra o mosquito da dengue. Vou tentar uma parceria com a Universidade Estadual de Londrina, adianta.
Santos leva uma vida diferente da considerada comum pela sociedade. Para pagar as contas e manter oito cachorros, ele vende algumas plantas ornamentais que consegue na mata e trabalha recuperando a saúde de plantas doentes para os donos. Não sei viver de outro jeito. Meu trabalho é minha vida. Consigo me manter, mas não tenho como pagar aluguel de uma casa com terreno suficientemente grande para continuar trabalhando , afirma.
Como vai ter de desocupar o local, Santos está procurando alguém que tenha uma propriedade (casa, chácara ou sítio) ou possua um galpão abandonado para poder poder continuar trabalhando com as plantas.


