Amigas presenciam tentativa de estupro às margens do Igapó
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sábado, 27 de setembro de 1997
Londrina 
Paulo WolfgangCena de horrorMaria e Renata, testemunhas de suposto estupro: desesperoA última segunda-feira havia sido planejada para ser uma noite como outra qualquer. As amigas Maria Angela Ferraz, Tânia Groff e Renata Siqueira saíram de seus locais de trabalho e foram andar na pista de cooper do lago Igapó 1, entre o Zerão e a barragem. Por volta das 20 horas, elas viram - uns 100 metros à frente - um homem moreno saltar do gramado entre a pista e a ciclovia e agarrar, por trás, uma moça que caminhava sozinha.
A moça começou a gritar: me solta, socorro, me solta, pelo amor de Deus. Coincidência ou não, no mesmo instante do ataque todas as lâmpadas que iluminam a pista se apagaram. Aí, os gritos da moça aumentaram, lembra a advogada Renata Siqueira. As três amigas acreditam que a moça foi vítima de estupro.
Com as luminárias apagadas, as três se desesperaram e começaram a subir correndo o barranco ao lado da pista, em direção ao Clube Arel. Foram poucos minutos, mas pareceram uma eternidade. No escuro, foi difícil correr pelo gramado e escalar o barranco. Eu caí algumas vezes; rasguei minha calça e ralei um joelho. Além disto, o medo de ser alcançada por outros marginais era grande, conta a diretora de uma agência de publicidade, Maria Angela Ferraz.
Perto da Arel, elas conseguiram chamar a PM pelo telefone 190. De acordo com o 5º Batalhão, a viatura chegou ao local em sete minutos. Os policiais fizeram ronda durante 40 minutos, mas não encontraram o homem moreno nem a suposta vítima. A moça atacada também não registrou queixa. A Copel informa que não aconteceu nenhum blecaute perto do Igapó na segunda-feira à noite. O desligamento pode ter sido causado por defeito das luminárias ou por forte batida nos postes daquela rede.
Maria Ângela Ferraz avalia: O difícil será conviver com a falsa impressão de segurança reinante na margem do Igapó. No ano passado, com a Guarda Municipal, o local era seguro. Mas agora, à noite, ele fica tomado por marginais. Não dá para andar sozinha e, mesmo em grupo, é necessário estar sempre atenta, tomar cuidados.


