James Alberti
De Curitiba
A presidente da Limiar USA, Nancy Lee Cameron, 54 anos, disse ontem no Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) que a entidade não cobrava para intermediar adoções de crianças brasileiras por famílias norte-americanas. Segundo ela, a Limiar, uma organização não-governamental que trabalha com adoção no Brasil desde 1985, recebia doações para custear as despesas.
Nancy apresentou ao delegado do Sicride, Harry Herbert, a contabilidade da empresa nos últimos três anos, revelando que a entidade fez empréstimos bancários para manter as atividades. Conforme os documentos, a Limiar teria recebido 255.708 dólares em doações e enviados para o Brasil 225.430 dólares. A presidente da Limiar revelou ser comum nos Estados Unidos casais darem contribuições, mas negou que essa seja uma exigência da entidade. ‘‘As acusações são falsas e mentirosas’’, disse.
Falando em português, com dificuldade, Nancy afirmou que há casos de famílias que não fazem nenhuma doação e ficam com as crianças mesmo assim. Conforme ela, houve, inclusive, uma situação em que a Limiar ajudou um casal que havia adotado seis crianças brasileiras. ‘‘A Limiar deu dois mil dólares para custear as dispesas com viagens’’, disse.
Apesar de confirmar que a entidade usava vídeos para ‘promover’ a adoção das crianças, Nancy afirmou que as fitas são necessárias para convencer as famílias a adotar as crianças, principalmente as que têm entre oito e 12 anos e as que são deficientes físicas. ‘‘A adoção é como um casamento. É para sempre. É necessário usar o vídeo para convercer as famílias a adotar as crianças’’, afirmou. Todas as filmagens, segundo ela, eram autorizadas pelo juizado brasileiro.
O delegado do Sicride acredita ser difícil comprovar que a Limiar tenha praticado crime. ‘‘Não tenho vítima. Crime, se houve, foi nos Estados Unidos’’, disse. Hebert disse que pretende terminar o inquérito em, no máximo, 30 dias. A julgar pela informações de ontem, os diretores da Limiar não deve ser indiciada.
A entidade está temporariamente descredenciada da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja). O descredenciamento vale até o término das investigações, o que indica que a Limiar deve voltar a intermediar crianças brasileiras. O delegado acredita ser ainda prematuro para qualquer conclusão, mas leva em consideração o fato da presidente da entidade ter vindo ao Brasil para prestar esclarecimento de forma expontânea.
Hoje Nancy deve ter uma reunião na Ceja, para explicar os procedimentos e mostrar a documentação da empresa. A presidente da Limiar disse acreditar que a Ceja reveja o descredenciamento após as explicações. Ela chegou ao País anteontem. Esteve em São Paulo e Santa Catarina, onde também prestou depoimentos, antes de ir para Curitiba.Presidente da Limiar, a americana Nancy Lee Cameron depôs ontem em Curitiba e negou comércio na adoção de crianças
Albari RosaPresidenteNancy Lee Cameron fez os depoimentos sobre adoção de crianças brasileiras por americanos no Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride)

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