Pneus na estrada, capacete colocado, bagagens amarradas e um sonho em mente. Assim o economista Leandro Veiga Rohde, de 49 anos, saiu de Nova Iorque (EUA) no dia 1º de julho com um objetivo: chegar até Porto Alegre (RS), numa viagem sobre duas rodas. A cada cidade deixada para trás o motociclista ganhava conhecimento, cultura, experiência e amigos. De passagem por Londrina nesta semana, Rohde contou que a viagem é a realização de um sonho que durou 21 anos. ''Neste ano consegui colocar em prática e valeu muito a pena'', afirmou, garantindo que cada centavo do investimento de cerca de US$ 10 mil teve a sua compensação.
Sem pressa de chegar, Rohde disse que veio ziguezagueando pelo caminho, para não perder nenhum detalhe dos países visitados. Ao todo foram dois meses rodando e outros dois parado, conhecendo cidades e pessoas. ''O aspecto humano está acima das imensas belezas naturais. Existe gente muito boa na América Latina, gente que está pronta para te ajudar em qualquer situação. Apesar de dizerem que tem muito ladrão, acho que 99% das pessoas são boas e este 1% que estraga eu não encontrei pelo caminho'', afirmou.
Entre os vários locais, o motociclista citou a travessia do Panamá para a Colômbia. ''Para atravessar é necessário ir de avião, navio ou veleiro, escolhi a última opção para curtir mais a viagem'', explicou. ''O barco passou por um lindo arquipélago, e é possível ver os arrecifes de corais e os atuns caçando peixes menores'', detalhou Rohde.
Mas uma viagem como esta não é formada apenas por momentos agradáveis. Rohde revelou ainda que teve medo de morrer, principalmente por conta das más condições de algumas estradas. ''No vale Sagrado, no Peru, eu estava a 120km/h e comecei uma curva, mas no meio dela o asfalto acabava e começava uma estrada de terra. Derrapei e fiquei torcendo pra não quebrar muita coisa em mim e na moto'', descreveu.
Nem o risco nas estradas ou a infecção alimentar contraída no México - que lhe rendeu uma semana de internação hospitalar em El Salvador - foi suficiente para fazê-lo parar. ''Sempre administrei esta questão. Na hora do desespero eu pensava em Deus, nos meus pais e rezava'', disse.
Dos 70 quilos de bagagem amarrados na moto de 650 cilindradas, quase a metade era formada por peças sobressalentes para o veículo. Corrente, coroa, pinhão, cabo e pastilhas dividiram espaço com roupas, objetos pessoais e uma barraca, usada pelo aventureiro nos dias em que encontrava um local seguro para dormir. ''Dormia na barraca para economizar, mas também dormi em pousadas, hotéis e a cada quatro semanas em um (hotel) cinco estrelas para compensar'', brincou.
Mas uma viagem como esta não basta ser guardada na memória. Rohde já acumula 2,5 terabites de vídeos e 1.533 fotos, além das anotações em um diário de viagens. ''Tudo isso vai virar um documentário e um livro.''
Em Londrina desde 19 de novembro, Rohde lembra que a viagem ainda não acabou. Na próxima semana ele segue para Curitiba, onde vai rever os irmãos e depois pega a estrada para Porto Alegre, para encerrar a aventura ao lado de tios e primos. Se ele levar em conta que até Londrina foram 19 mil Km percorridos, Porto Alegre fica ''logo ali'', a apenas 1,3 mil km de distância. Muito pouco para quem traz a América Latina na bagagem.

Ouça trechos da entrevista do aventureiro:

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