Noite de 25 de abril, 23 horas. Clodoaldo Braga e Marcos Vojciechovski partem para a grande aventura: atravessar 14 países até Prudhoe Bay, no extremo norte do Alasca. De Curitiba até Cáceres, no Mato Grosso, divisa com San Ignácio, na Bolívia, os dois motociclistas não tiveram problemas. ‘‘Somente o deslocamento do bico de uma câmara de ar’’, disse Vojciechovski. A aventura começou quando saíram do Brasil. ‘‘Até lá é tudo asfaltado. Mas depois só terra’’, conta Clodoaldo Braga.
Da fronteira até Santa Cruz de La Sierra foram 800 quilômetros de terra. ‘‘Víamos constantemente cobras e animais selvagens atravessando a estrada. Selva pura’’, relembra Vojciechovski. Eles levaram dois dias para completar este trecho. ‘‘O terreno era escorregadio e bastante difícil para guiar’’, contam.
Mas nem só lama e areia os aventureiros encontraram. Ele viram várias pontes semidestruídas, duas barreiras do exército boliviano e uma aduana. Da Bolívia seguiram para o Peru, para altitudes superiores a 4.500 metros. ‘‘Saímos de altitude quase zero para mais de 4 mil metros. As motos sentiram a ‘falta de ar’, mas logo se adaptaram’’, diz Vojciechovski.
No Peru uma pausa para visitar a famosa cidade perdida dos incas: Machu-Picchu. Depois conheceram as misteriosas linhas de Nazca. Quando atravessavam um grande deserto ao norte do Peru, em direção ao Equador, Braga e Vojciechovski foram parados por dois policiais mal encarados. ‘‘Eles não tinham radar, mas nos acusaram de ultrapassar o limite de velocidade. A multa foi estipulada ali mesmo: US$ 200 cada um. Conseguimos seguir viagem pagando apenas U$ 100, por cabeça’’, queixa-se Marcos Vojciechovski.
A travessia do Equador aconteceu sem grandes problemas. Na Colômbia também não houve nenhum contratempo. Entretanto, Clodoaldo Braga conta que o trecho, de 2 mil quilômetros, foi um dos mais tensos. Ele diz que a guerrilha colombiana é muito atuante. ‘‘Nós, como estrangeiros, somos alvos preferenciais. Por isso viajar depois das 18 horas é muito arriscado. O que fazíamos diariamente’’, diz. A chegada em Cartagena, no mar do Caribe, no lado sul do Canal do Panamá, foi um alívio. ‘‘Como prêmio aproveitamos as belas praias do Caribe’’, diz Braga.
Na realidade estes dias de folga foram um pouco forçados. ‘‘Estávamos quatro dias adiantados. Obrigamo-nos a esperar nosso contato para atravessar o Canal do Panamᒒ, diz Vojciechovski. (F.P.)

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