Ameaças e extorsão pelo telefone
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O telefone toca. Do outro lado da linha, uma voz ameaçadora fala de forma violenta, tentando constranger quem atende, a depositar quantia em dinheiro em uma conta bancária ou comprar cartões telefônicos e repassar os códigos. Quem recebe essas ligações tende a acreditar que está sob risco, mas a Polícia Civil orienta as pessoas a não se deixarem amedrontar pelas ameaças, que são falsas, e denunciarem a tentativa de extorsão imediatamente. Em Londrina e região, esse tipo de coerção acontece com certa regularidade e algumas pessoas já acabaram caindo no golpe, o qual, suspeita-se, seja praticado de dentro de presídios.
Uma microempresária de Londrina recebeu uma ligação destas há pouco mais de 15 dias. De acordo com a vítima, a pessoa que ligou tinha forte sotaque carioca e, depois de alguns minutos de conversa, veio a ameaça: ''O homem falou que tinha sequestrado meu marido e que eu teria que pagar R$ 100 mil se não iriam matá-lo''. Mesmo abalada, a microempresária continuou ''negociando'' com o suposto sequestrador até que ele decidiu trocar a quantia pedida por mil e quinhentos cartões telefônicos de diversas operadoras.
Fingindo concordar com a negociação, ela conseguiu ligar para o telefone celular do marido e desmontar a farsa. Ela tentou acionar ajuda policial mas reclamou que não conseguiu. ''Não fizeram nem uma ronda na porta do meu prédio'', apontou a microempresária. Um amigo investigador confirmou que tudo não passava de um golpe e o casal não chegou a registrar boletim de ocorrência, assim como fizeram pelo menos outros três conhecidos deles que também teriam sofrido extorsões semelhantes por telefone. ''Uma vizinha depositou R$ 3 mil em uma conta depois que disseram que tinham sequestrado sua filha'', comentou a microempresária.
Golpes iguais também foram aplicados em Assaí (36 km a leste de Londrina). De acordo com o delegado Adair de Oliveira, no segundo semestre do ano passado pelo menos três pessoas, todos descendentes de japoneses, registraram queixa na delegacia após terem recebido ligações ameaçadoras. O delegado rastreou as ligações e descobriu que eram originadas em Fortaleza, no Ceará, e feitas através de telefones celulares clonados ou não registrados formalmente. ''Acredito que devem ter sido feitas de dentro de presídios'', observou Oliveira.
O delegado orienta as pessoas a não acreditarem nas ameaças feitas por telefone. ''Quem recebe ligações assim deve comunicar o fato à Polícia e não dar nada para a pessoa que faz as ameaças. Eles nunca concretizam essas ameaças porque não passam de um golpe'', garantiu.


