O clima voltou a ficar tenso na Fazenda Cachoeira, em Sapopema (132 quilômetros ao sul de Cornélio Procópio), invadida há um mês, pela segunda vez, por cerca de 90 famílias de sem-terra. A coordenação regional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) acusa o proprietário da fazenda, Osvaldo de Almeida Rocha, de estar ameaçando as famílias que estão no local.
De acordo com um dos líderes do MST na região, Luiz Alonso Sales, o dono da área estaria ameaçando usar seguranças armados para retirar as famílias. ‘‘Estamos recebendo ameaças que pistoleiros devem entrar no local a qualquer momento e retirar as famílias. Tememos que possa acontecer um confronto violento, principalmente porque existem muitas crianças e mulheres no acampamento’’, disse.
Sales afirmou que, se as ameaças se concretizarem, os sem-terra prometem atear fogo na sede da fazenda e nos três tratores que estão no local. ‘‘Se não houver acordo e o nosso pessoal for agredido, a casa e as máquinas serão queimadas’’, disse.
A Folha procurou ontem o dono da fazenda, Osvaldo Rocha, mas ele não foi localizado. O Comando da Polícia Militar de Sapopema informou que o fazendeiro já registrou queixa por duas vezes, acusando os sem-terra de estarem lhe ameaçando de morte e de impedirem sua entrada na sede da fazenda para retirar roupas e objetos pessoais. A polícia também informou que a juíza Paula Priscila Figueira, que atua na Comarca de Curiúva, já teria decretado a reintegração de posse da área. A juíza está em férias.
A Fazenda Cachoeira tem 1.430 hectares e segundo o MST, a área foi declarada improdutiva pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e estaria em fase de desapropriação. O movimento aguarda agora que o órgão faça o cadastramento das famílias que deverão permanecer na fazenda.

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