A Polícia Civil e os deputados das CPIs estadual e nacional que apuram o narcotráfico e o crime organizado alegam que não foram procurados pelas testemunhas e seus parentes entrevistados pela Folha, que reclamam da ineficácia ou inexistência de ações para protegê-los.
O deputado Algaci Tulio (PTB), presidente da CPI paranaense, diz que, como o Estado não possui programa próprio, a proteção às pessoas que deram depoimentos às duas comissões seria uma incumbência da CPI nacional. ‘‘Não temos condição de dar garantia de proteção a ninguém. Por isso, tomamos depoimentos sigilosos quando as pessoas correm algum perigo’’, afirma Algaci.
O deputado federal Padre Roque Zimmermann (PT), único paranaense que integra a CPI nacional, também afirmou que a família do garoto Ewerton de Lima Gonçalves nunca chegou a pedir proteção formalmente – exigência para obter o benefício. Padre Roque, que é sub-relator da comissão, classificou de ‘‘gravíssimas’’ as situações relatadas pela reportagem. O deputado Ricardo Chab (PTB), relator da CPI estadual, também afirma não ter recebido pedido formal de proteção dos pais de Ewerton.
Em relação a Rafael Walenga, a situação é mais complicada. Ele foi ouvido pelos deputados no final do ano passado, quando o que havia na Assembléia era apenas uma Comissão Especial de Investigação (CEI) – com poderes mais limitados que os de uma CPI. ‘‘Depois que criamos a CPI, não chegou até nós nenhuma reclamação da família dele sobre o seu desaparecimento’’, diz Algaci.
Mas a verdade é que, desde o início deste ano, Walenga vinha percorrendo redações de jornais – principalmente a Folha – para denunciar que estaria sofrendo ameaças e não vinha recebendo a proteção prometida pelos deputados. Nada foi feito. ‘‘Perdemos o contato com ele’’, justifica Algaci. O deputado afirmou que o rapaz era ‘‘muito fantasioso e gostava de pôr lenha na fogueira’’.
Apesar de afirmar que Walenga ‘‘deixou de mercer respeito pela forma como agia’’, Padre Roque contesta Algaci e garante que a CPI estadual poderia ter solicitado a proteção do denunciante.
O delegado-geral da Polícia Civil no Paraná, Leonyl Ribeiro, também afirma que a instituição não recebeu nenhum pedido nos casos relatados pela Folha. Mesmo que tivesse recebido, pouca coisa teria sido feita. Para Ribeiro, proteger testemunhas ‘‘foge à responsabilidade’’ da Polícia Civil. Ele assegura também que a família de Ewerton nunca registrou denúncias das ameaças e atentados de que é vítima.
Depois de passar um tempo sem delegado, a investigação do desaparecimento do menino hoje é comandada pelo delegado-adjunto da Divisão de Segurança e Informações (DSI), Carlos Basílio Madureira. A designação de Madureira só ocorreu após a repercussão provocada pelo caso com a visita dos deputados federais a Curitiba.
A Folha tentou ouvir o secretário estadual de Segurança, José Tavares, durante toda a semana passada. Mas a assessoria de imprensa da Secrataria não atendeu o pedido para agendar uma entrevista.

mockup