Os moradores do Residencial das Américas (zona norte de Londrina) pretendem agendar para a próxima segunda-feira uma audiência pública entre representantes da Construtora Santa Cruz, Caixa Econômica Federal (CEF), Promotoria de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais e vereadores, além dos próprios moradores, para tentar um acordo. No mês passado, a construtora conseguiu uma liminar da Justiça concedendo reintegração de posse de mais de 300 dos 1.424 apartamentos existentes no residencial.
De acordo com a advogada dos moradores, Rosângela Miya, várias famílias já tiveram que cumprir ordem de despejo, mas ela não soube precisar quantas. Desde 1994, a Caixa Econômica Federal move três ações civis e uma criminal na Justiça Federal contra a empresa. As ações civis são para cobrar dívidas da construtora com a instituição financeira e a criminal para investigar denúncia de superfaturamento da obra.
Ontem o superintendente regional da CEF em Londrina, Mounir Chaowiche, falou na sessão da Câmara de Vereadores sobre alguns dos projetos desenvolvidos pela instituição e citou o caso do Residencial das Américas. Segundo Chaowiche, a Caixa liberou recursos para a construção do condomínio e na finalização da obra a construtora não fez o repasse devido. Pelo contrato firmado, diante da inadimplência a CEF poderia executar a contrutora, o que foi feito. ‘‘Agora a Justiça tanto pode decidir por um acordo com a empresa como pelo repasse dos imóveis à Caixa, que os financiaria para os moradores’’, explicou o superintendente.
Chaowiche informou ainda que há cerca de dois anos foi feito um acordo com a Santa Cruz e 244 unidades foram negociadas diretamente com a Caixa. ‘‘As unidades restantes são de propriedade da construtora.’’ Com esta negociação, parte da dívida da empresa com a instituição foi quitada. O superintendente não soube dizer, porém, quanto ainda resta para ser pago, mas lembrou que de 1999 para cá não foi possível mais nenhum tipo de acordo.
De acordo com Mounir Chaowiche, a proposta da instituição é que os imóveis sejam financiados pelo valor de mercado, que hoje varia entre R$ 18 mil e R$ 20 mil. Para a advogada Rosângela Miya, a solução depende de um esforço conjunto entre Caixa, Ministério Público, vereadores e moradores. ‘‘A Caixa diz estar de mãos atadas porque depende de liberações por parte da construtora, e esta alega, entre outras coisas, que a CEF não liberou o valor total do financiamento.’’

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