O poder paralelo exercido por gangues rivais de criminosos em Londrina demonstrou mais uma vez sua força ao impor o medo entre estudantes de uma escola da Zona Norte. Anteontem, uma menina de apenas nove anos que mora no Conjunto Novo Amparo mas estuda na 3 série da escola João Gasparin, no Conjunto Habitacional Farid Libos, teria sido ameaçada por um adolescente armado com um revólver na saída das aulas. Ontem, praticamente não houve aula no colégio porque cerca da metade dos alunos mora no bairro vizinho e temem se tornarem as próximas vítimas. À tarde, quando funcionam turmas de 5 à 8 séries do Estado, os poucos estudantes que se animaram a ir para o colégio foram dispensados mais cedo.
Com medo de se identificar, o pai de uma aluna que mora no Novo Amparo e frequenta a 6 série na escola do bairro vizinho contou que as diferenças entre gangues rivais dos dois bairros são antigas, se acirraram há algum tempo e tomaram proporções insuportáveis com o assassinato de Anderson Rodrigo Pardin, 22 anos, na noite do último domingo. Ele foi morto a tiros nas proximidades da escola e os autores seriam moradores do Novo Amparo. Um adolescente se apresentou à Polícia como autor do homicídio e alegou que o alvo seria um outro rapaz que acompanhava a vítima mas que conseguiu fugir (ver box). A Folha apurou que o rapaz que conseguiu escapar dos tiros estaria sendo caçado pela gangue rival porque já teria cometido um homicídio no Novo Amparo há alguns meses.
Cansado da violência a que a filha precisa se submeter para estudar, o pai disse que está tentando matriculá-la em outra escola. Ele lamentou que a segurança oferecida pela Polícia Militar nas imediações do colégio não é suficiente para garantir a tranquilidade dos pais. ''As crianças vão e voltam a pé para escola, que fica no meio do outro bairro'', apontou. Boa parte dos alunos do colégio do Farid Libos, tanto do período da manhã quanto da tarde, são moradores do Novo Amparo e ontem quase todos faltaram ou os pais foram buscá-los mais cedo. No período da tarde, as turmas foram dispensadas às 16 horas, na saída para o intervalo, e as famílias prometem manter seus filhos em casa nos próximos dias. A diretora não foi encontrada pela reportagem para falar sobre o assunto.
A secretária municipal de Educação, Carmen Sposti, confirmou a ameaça sofrida pela estudante mas lembrou que a responsabilidade do município termina às 14 horas, quando turmas de 5 a 8 série do Estado usam as salas. A secretária comentou que a escola já teve períodos problemáticos mas que a atual direção está tentando contornar o problema com o apoio da Associação de Pais e Mestres e da população local. ''Recentemente foi mudada a direção e a que entrou foi preparada para aproximar-se da comunidade, para podermos minimizar essa situação de violência'', afirmou.
A Folha procurou por telefone o chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE), Rony dos Santos Alves, mas ele não foi localizado até o fechamento desta edição.

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