Ameaça de protesto deixa clima tenso
Sandra Mara Mendes
De Fancisco Beltrão
Especial para a Folha
O efetivo da Polícia Militar de Cascavel está em Quedas do Iguaçu (165 km a leste de Cascavel) para fazer segurança especial do Fórum. Há rumores que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fará nova manifestação hoje pela libertação de nove sem-terra, presos em flagrante por furto de erva-mate. O clima é de tensão. O delegado, o promotor e o juiz denunciam que estão sendo ameaçados de morte.
Segundo o promotor de Quedas do Iguaçu Cláudio César Cortesia, o pedido de liberdade será decidido hoje pelo juiz Mauro Modin. O parecer do Ministério Público foi pela manutenção da prisão. O delegado Ítalo Biancardi Neto disse que as empresas ervateiras que compraram o produto roubado pelos sem-terra são consideradas receptadoras e correm o risco de ser fechadas. Seus proprietários vão responder processo por furto qualificado.
Coordenadores do MST alegam que a erva-mate é planta nativa e não seria crime a retirada de folhas para comercialização. Segundo Roberto Baggio, a erva-mate estaria garantindo a subsistência das famílias acampadas numa área que pertence à madeireira Araupel. Mas o delegado garante que as árvores foram reflorestadas pela empresa proprietária das terras, que as cultiva para exportação.
A polícia está investigando os antecedentes de um dos sem-terra preso, Maurílio Silvério Borges. Segundo o delegado, ele estaria envolvido num caso de estupro. No pedido de liberdade dos acusados todos têm certidões de réus primários. O delegado Ítalo Biancardi Neto disse que o clima é tenso em Quedas do Iguaçu, com ameaças de morte e de invasões em áreas de terra, delegacias e fórum.
Na última quinta-feira cerca de mil trabalhadores rurais sem-terra fizeram uma manifestação em frente ao Fórum e aproximadamente 20 funcionários, juiz e promotor foram feitos reféns. Os manifestantes queriam a liberdade dos nove companheiros presos.
O impasse começou no dia 7, quando nove trabalhadores foram presos em flagrante por furto de erva-mate, em área da empresa Araupel. A Polícia Militar apreendeu dois caminhões com carga avaliada em R$ 2.200,00. Os sem-terra Maurílio Silvério Borges, Dico José Mendes, Joel Martins de Oliveira, João Alberi da Costa, Ireno Carvalho, Jair Taborda, Francisco Dalmazio Henges, Francisco Ribeiro de Camargo e Rui Jesus de Camargo foram enquadrados em furto qualificado e formação de quadrilha. Eles confessaram que estavam retirando erva-mate da Araupel há 60 dias.





