Ameaça de greve volta às universidades
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segunda-feira, 20 de outubro de 2003
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Servidores das universidades estaduais do Paraná realizam amanhã, em nove municípios, uma manifestação pela reposição salarial de 62% junto ao Governo do Estado. Caso não seja apresentada uma proposta concreta, pode ser deflagrada uma nova greve, a exemplo da que teve início em setembro de 2001 e se arrastou por 169 dias. Quem afirma é o presidente da Associação dos Servidores Técnico-Administrativos da Universidade Estadual de Londrina (Assuel), Itamar Nascimento.
''Esse índice corresponde às perdas salariais desde março de 97, considerando que o Governo concedeu um reajuste médio de 15% na última paralisação, em vez dos 50,03% reivindicados, e a database vencida em junho passado'', justificou Nascimento. De acordo com ele, o percentual foi corrigido pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). ''Tivemos várias reuniões com o Governo ao longo deste ano, mas nenhuma proposta concreta foi apresentada. Se essa omissão continuar, a possibilidade de greve é bastante concreta'', alertou, destacando que o ato acontece simultaneamente em Maringá, Cascavel, Guarapuava, Marechal Cândido Rondon, Ponta Grossa, Paranavaí, Toledo e Francisco Beltrão. Em Londrina, o evento terá início às 9 horas, na Concha Acústica (centro).
Nascimento condenou a atitude da reitora da UEL, Lygia Pupatto, nas negociações com a Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia. ''Falta empenho a ela para defender a questão salarial'', criticou. Por sua vez, Lygia rebateu alegando ter documentos assinados pelos reitores das universidades estaduais nos quais é cobrada do Governo uma política salarial. ''Pelo que nos foi passado, não haveria possibilidade de reajuste este ano. Não deixo de me preocupar com isso, ainda mais que se baseia em dados concretos'', declarou. Sobre a possibilidade de greve, a reitora prefere não tomar partido. ''Se os sinidicatos acharem que essa é a estratégia, a decisão é deles'', finalizou.
Maringá O Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Ensino de Maringá e Região (Sinteemar) que congrega professores e pessoal técnico da Universidade Estadual de Maringá (UEM) está levantando a quantidade de docentes com pedidos de exoneração do cargo. Os números, conforme o sindicato, podem revelar o grau de descontentamento dos professores com a defasagem salarial calculada em 62% desde março de 1997. Segundo a presidente do Sinteemar, Ana Estela Codato, os professores da UEM ganham 30% menos que os docentes das estaduais paulistas.
Durante o protesto marcado para a amanhã, os sindicalistas vão aproveitar para se reunir com a reitoria da UEM e com representantes de entidades ligadas à indústria e comércio de Maringá. ''Nosso objetivo é chamar a atenção para a nossa situação salarial e alertar sobre as dificuldades de negociação com o governo do Estado'', disse a presidente do Sinteemar. (Colaborou Marta Medeiros)


