Motoristas e cobradores das empresas de transporte coletivo de Londrina ameaçam paralisar os serviços na primeira hora de terça-feira se a categoria não chegar a um acordo de reajuste salarial com os empregadores. A decisão foi tomada em assembléia, ocorrida anteontem à noite, na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina (Sintrol). A greve poderá prejudicar, diariamente, cerca de 200 mil usuários na cidade.
Além da falta de consenso em relação ao reajuste empregados pleiteiam 7% e empregadores oferecem 4% o que tem emperrado as negociações é a proposta das empresas de acabar com a função de cobrador. ''A gente não aceita essa proposta. Se aceitarmos estaremos dando abertura para as empresas suprimirem a categoria'', afirmou João Batista, presidente do Sintrol.
Ele disse que as empresas que operam o transporte coletivo em Londrina sugeriram retirar o cobrador nas linhas ociosas, onde o número de pagantes em dinheiro não ultrapassasse 18 pessoas. ''Fora do horário de pico, essa medida significaria retirar todos os cobradores de operação. A gente teme pelo desemprego'', enfatizou Batista. Atualmente existem na cidade perto de 800 cobradores e 800 motoristas. O salário base da categoria é de R$ 729 e R$ 1.174, respectivamente. As negociações de reajuste estão sendo discutidas há dois meses. A data base da categoria foi dia 1º de junho.
Batista lembrou que na licitação vencida pelas empresas Transporte Coletivo Grande Londrina (TCGL) e Francovig para operar em Londrina, em 2003, ficou estabelecido que os ônibus convencionais teriam que ter a presença do motorista e do cobrador. O presidente da Companhia de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU), Francisco Moreno, confirmou essa determinação e destacou que só poderá ocorrer uma mudança da regra em negociação coletiva. ''A gente não pode interferir diretamente nas negociações, pois isso é entre empresa e empregado. Mas nosso posicionamento é no sentido de sensibilizar os envolvidos para que a população não seja prejudicada'', destacou Moreno.
Batista informou que as empresas já foram informadas sobre a decisão da assembléia. A reportagem da Folha tentou falar com o secretário do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Municipal (Metrolon), Gildalmo Mendonça, mas não conseguiu contato.

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