Uma comissão de moradores das três áreas invadidas este ano em Londrina, representantes do Centro de Direitos Humanos (CDH) e membros da Comissão de Direitos Humanos da Câmara se reúnem hoje, às 9 horas, com o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM), tenente-coronel Rubens Guimarães de Souza. Eles querem que o comando da PM aguarde uma nova negociação com os proprietários dos terrenos ocupados antes de cumprir as ordens de reintegração de posse concedidas pela Justiça.
A informação de que o Batalhão já estaria preparado para a desocupação dessas áreas, divulgada anteontem pela Folha, mobilizou a Federação dos Assentamentos e Sem-teto, que pediu a intervenção do CDH. O Centro enviou uma correspondência ao secretário de Segurança Pública, José Tavares, pedindo a convocação de uma reunião com proprietários e autoridades. Para o CDH, a ação da PM acarretaria ''um sério risco de violação da Declaração dos Direitos Humanos''.
Ontem o coordenador da entidade, o advogado Jorge Custódio, conversou com os moradores da ocupação que fica ao lado do Assentamento São Jorge, na zona norte, e sugeriu a criação da comissão. Representantes das invasões do Jardim Marieta, também na zona norte, e de uma área da Loteadora Tupy, zona sul, não participaram da conversa, mas o presidente da Federação de Assentamentos, José Ricardo da Silva, se comprometeu em convidá-los para a reunião com o comando da PM.
Silva disse que os moradores, apesar de não terem para onde ir, não pretendem reagir em caso de desocupação com força policial. ''Nós sentaremos na beira da rua para assistirmos a destruição dos barracos'', garantiu. Um outro morador da ocupação acrescentou que ''nas áreas próximas da prefeitura, do Fórum e da Câmara têm bastante espaço para montar barracos''.
A área ao lado do São Jorge foi invadida no feriado de 7 de setembro e pertence a Gertrudes Ellwein. Segundo declarações do genro do proprietária, o empresário Tony Karam, o terreno estava arrendado e era utilizada para o plantio de vassoura. Os invasores alegam que nos últimos quatro anos a área foi cultivada apenas uma vez. Segundo o presidente da Federação dos Assentamentos, cerca de 250 famílias estão no local, com pelo menos 280 crianças, e a cada dia chegam mais pessoas.
A assessoria do secretário José Tavares informou que ele enviou ontem à tarde a Carta do CDH ao comandante-geral da PM, Gilberto Foltran, delegando a decisão sobre a desocupação.

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