Ameaça de bomba pára Prefeitura
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quarta-feira, 08 de abril de 1998
Paulo Ubiratan 
Dorico da SilvaAlarme falsoO perito Darci Dória vistoria gabinete do prefeito: sem bombasA Prefeitura de Londrina sofreu várias ameaças de bomba ontem à tarde e teve seu prédio totalmente evacuado. A sede da Prefeitura foi vasculhada durante três horas e meia pelo perito Darci Dória, do Instituto de Criminalística, e por dez policiais militares. Eles procuraram explosivos que estariam escondidos no jardim de entrada, em banheiros e no próprio gabinete do prefeito Antônio Belinati (PDT). Nada encontraram.
O aviso sobre as supostas bombas foi dado por telefone às 13h30. Por ordem de Belinati, o prédio foi evacuado imediatamente. A liberação do prédio só aconteceu às 16h30, quando os funcionários puderam voltar a trabalhar. Um suspeito chegou a ser preso, mas nada ficou provado contra ele. O responsável pelos telefonemas chegou a dar o número do celular e identificava-se por Flávio.
Dorico da SilvaFlávio Conceição: autor do telefonema usou celular furtado
O celular havia sido furtado horas antes do funcionário da Sercomtel Flávio Benedito Conceição. O furto ocorreu no interior de uma padaria na rua Pará, centro da Cidade. Somente me dei conta de que levaram meu celular quando cheguei em casa. O ladrão tem bom conhecimento de telefonia celular. Ele descobriu o meu nome e o telefone de casa no menu do celular e começou a dar diversos trotes para minha família, diz Flávio Conceição. Ao chegar em casa, ele ligou para o próprio celular e chegou a discutir com a pessoa que atendeu o telefonema. Até por volta das 19 horas de ontem, o celular não havia sido localizado.
Claudinei Maia, conhecido por Bugalu, foi preso logo após a liberação do prédio como principal suspeito pelo trote. As suspeitas foram levantadas pelo delegado do 4º Distrito Policial, Joaquim Antônio de Mello. Bugalu esteve na Prefeitura pela manhã, tentando uma audiência com o prefeito Belinati. Várias testemunhas disseram que, após ser impedido de falar com o prefeito, Bugalu chorou e parecia estar muito nervoso. Ele é conhecido dos seguranças e fugiu quando sua mãe chegou ao local. Segundo informações da Polícia Civil, o suspeito consome drogas, já matou um homem e precisa de tratamento mental. Ele nega ter sido autor dos telefonemas. Bugalu saiu da delegacia para ser internado em uma clínica psiquiátrica.
Dorico da SilvaBugalu é conduzido por policiais: nada foi provado contra ele
As ameaças de bombas foram recebidas pelo chefe de gabinete do prefeito, Francisco Mestre. Ele não foi encontrado para falar sobre o assunto. Segundo funcionários do gabinete, o autor dos telefonemas teria dito que as bombas foram montadas por ex-participantes do grupo guerrilheiro peruano Sendero Luminoso, a pedido de um radialista paranaense.
A Folha também recebeu o trote. A pessoa se identificava como grande conhecedora de bombas, e citava a ação dos supostos ex-guerrilheiros. O autor do telefonema disse ainda que estava sendo ameaçado de morte, e pediu para que um repórter fosse até uma casa do bairro Aeroporto. Lá, um muro estaria totalmente perfurado por tiros. O endereço era falso.


