Ameaça chamada Aedes aegypti
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quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 
O aumento do número de casos suspeitos de microcefalia, uma malformação congênita em que o cérebro não se desenvolve adequadamente, no Nordeste do Brasil e a possível correlação com o zika vírus, transmitido pelo Aedes aegypti, reforça a necessidade de combate ao mosquito, que também transmite a dengue e a febre chikungunya.
A ocorrência do zika no Brasil ainda é nova. Os primeiros casos surgiram no ano passado. Uma pesquisa realizada pelo Laboratório de Virologia Molecular do Instituto Carlos Chagas (ICC/Fiocruz Paraná) confirmou a presença do vírus em oito amostras provenientes do Rio Grande do Norte. Os pesquisadores acreditam que o zika foi introduzido no País, possivelmente por turistas que vieram para a Copa do Mundo. As amostras também foram confirmadas pelo Centro de Controle de Prevenções de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês).
No Paraná, foram notificados dois casos em São Miguel do Iguaçu (Oeste). Um homem e uma mulher apresentaram os sintomas da doença em maio e o diagnóstico foi confirmado em julho. Os dois contraíram o zika no município. Outros cinco casos foram notificados na cidade, mas as pessoas foram infectadas durante viagens para Alagoas e Pernambuco.
Com a suspeita de que os casos de microcefalia possam ter relação com o zika, a Secretaria da Saúde do Paraná fez um retrospecto dos casos notificados no Paraná e constatou que não houve aumento da incidência da doença. Nos últimos 10 anos, foram em torno de 50 casos. A média de quatro a cinco casos por ano. "A nossa preocupação é com a intensificação da epidemia no Nordeste. Em 80% os casos de zika são assintomáticos, ou seja, podemos ter mais casos e não sabermos", comentou Ivana Belmonte, chefe do Centro Estadual de Vigilância Ambiental.
Os sintomas são semelhantes aos da dengue e da chikungunya, por isso a Secretaria da Saúde está fazendo um trabalho de capacitação dos profissionais de saúde sobre diagnósticos diferenciados. O zika vírus surgiu em 1947 na Floresta de Zika, em Uganda, na África, e de lá se espalhou pela Ásia, Oceania e ano passado chegou à América do Sul. Nos países que enfrentaram a doença, não se percebeu aumento de casos de microcefalia. No Brasil, também há suspeita de relação do zika com a Síndrome de Guillain-Barré (SGB), uma doença neurológica degenerativa. "É o Brasil quem vai investigar essas relações. É tudo muito novo e não temos conhecimento de como ele (zika) age", disse Ivana.
Ela explica que uma das dificuldades para confirmação da relação entre o zika e a microcefalia é a indisponibilidade de sorologia. Segundo Ivana, o exame deve ser feito no inicio da gestação e em até cinco dias após a infecção pelo mosquito. A prevenção do Aedes aegypti é a única maneira de evitar a doença e uma possível malformação do feto.
A preocupação é com a chegada do verão, que promete ser quente e chuvoso. Um cenário propício para a proliferação do mosquito. "Não tivemos um inverno rigoroso e estamos enfrentando muita chuva e calor. As pessoas precisam ter cuidado com as suas casas. As pesquisas já mostraram que a cada 20 gerações o Aedes aegypti se modifica geneticamente e se adapta ao ambiente. Não dá mais para ter criadouros em casa. Estamos em situação de emergência nacional", disse Ivana.
O Levantamento do Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa), divulgado na terça-feira pela Secretaria Municipal de Saúde, apontou que Londrina está com um índice de infestação do mosquito oito vezes superior ao recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O município decretou alerta epidemiológico e estado de emergência contra a dengue.
De acordo com a chefe do Centro Estadual de Vigilância Ambiental, se a população não se conscientizar sobre as medidas para evitar a proliferação do mosquito é possível que o País enfrente uma tríplice epidemia (dengue, febre chikungunya e zika vírus).
MICROCEFALIA
De acordo com o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde foram notificados 739 casos suspeitos de microcefalia, em 160 municípios de nove estados brasileiros. Pernambuco é o campeão com 487 casos, seguido de Paraíba (96), Sergipe (54), Rio Grande do Norte (47), Piauí (27), Alagoas (10), Ceará (9), Bahia (8) e Goiás (1).Um óbito suspeito no Rio Grande do Norte está sob investigação.
O Grupo Estratégico Interministerial de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional e Internacional (GEI-ESPII) vai acompanhar e propor medidas de emergência em saúde pública. De acordo com o Ministério da Saúde, ainda não é possível afirmar com certeza que o aumento de microcefalia no Nordeste tem relação direta com o zika vírus. Mas o Laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz da Fiocruz, que participa da investigação, encontrou a presença do genoma do vírus em amostras de duas gestantes da Paraíba, que tiveram diagnóstico de microcefalia dos fetos, por meio de ultrassonografia. O vírus estava no líquido amniótico.
O Brasil já comunicou a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde e está orientado os profissionais de saúde sobre a padronização dos casos suspeitos de microcefalia. Os Estados e municípios devem estabelecer os serviços de referência para atendimento aos pacientes e notificar o Ministério da Saúde sobre casos suspeitos.



