Os 300 alunos do Departamento de Educação Física da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, foram dispensados ontem por volta das 15 horas, por causa de uma ameaça de bomba. Duas ligações anônimas, a primeira às 15 horas e a outra 20 minutos depois, informaram que havia uma bomba no prédio. Todas as salas foram evacuadas. A polícia vasculhou o edifício por cerca de 40 minutos, mas não encontrou nada.
Temia-se que pudesse ocorrer o mesmo que há duas semanas, quando um bomba de baixa potência teve de ser detonada pela polícia no prédio onde funcionam os cursos de Engenharia.
Na ocasião, segundo o chefe do Departamento de Educação Física, Wagner de Campos, os professores teriam resistido à ameaça, acreditando que fosse um trote. Somente foram retirados com a insistência da polícia. Apesar dos professores e funcionários estarem em greve, a ameaça era verdadeira. A polícia não consegiu desativar a bomba e a detonou. ‘‘Uma bomba bem feita não se desarma. Se detona, porque o risco é muito grande’’, justificou o tenente Robson Luiz Selleti.
Marcelo AlmeidaAdilson Piovesan ficou irritado com o prejuízo de R$ 60,00Conforme Campos, não havia ontem nenhuma razão que justificasse um trote. Mesmo assim, todos os alunos foram dispensados. ‘‘Acho que fizemos o que foi correto. Não se pode negligenciar’’, afirmou a coordenadora do curso, Simone Rechia.
O comerciante Adilson Piovesan, 59 anos, se recusou a deixar o prédio. Responsável pela cantina do campus há 16 anos, Piovesan estava irritado com o prejuízo que havia tido por causa da ‘‘brincadeira’’. ‘‘A turma aqui é tranquila. Não tem bomba nenhuma’’, disse. A confiança não adiantou e Piovesam teve de amargar o fato de deixar de vender pelo menos R$ 60,00. ‘‘A tarde está perdida’’, lamentou.
Nem mesmo os estudantes gostaram da ameaça. ‘‘Por um lado é bom porque a gente fica livre. Mas para a faculdade é ruim’’, disse Raphael Santa Cruz, 17 anos, estudante do 1º ano. O colega de sala e o homônimo, Raphael Bonatto, 18 anos, tem a mesma postura. ‘‘Acho ruim porque prejudicou as aulas, que já haviam sido prejudicadas pela greve’’, afirmou. Por outro lado, Bonatto acha que foi bom porque as aulas haviam recomeçado em ritmo muito puxado.

mockup