Ambulatório atenderá Alzheimer e Parkinson
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segunda-feira, 08 de setembro de 2003
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Começou a funcionar ontem, no Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o Ambulatório de Referência para liberação de medicamentos para portadores de Alzheimer e de Parkinson. O projeto obedece a portaria do Ministério da Saúde, que passou a encaixar na categoria excepcionais seis remédios utilizados no tratamento das duas doenças Donepezil, Galantamina e Rivastigmina para Alzheimer e Amantadina, Mirapex e Entacapone para Parkinson.
Segundo Mônica Marcos de Souza, neurologista do HC e uma das coordenadoras do projeto, estes medicamentos são muito caros. ''Em muitos casos, as famílias com parentes nestas condições tiveram que recorrer à via judicial conseguir os remédios'', contou ela.
Para terem acesso ao Ambulatório, os pacientes devem procurar uma unidade básica de saúde (UBS), se forem de Londrina, ou as secretarias municipais de saúde de suas cidades. Apenas doentes com diagnóstico e prescrição médica têm direito ao recebimento de remédios e ao atendimento. A princípio, serão realizadas 48 consultas por mês, sempre de segunda a quarta-feira. Segundo Mônica, o Ambulatório também servirá como um grande centro de armazenagem de informações sobre as duas enfermidades.
''Faremos investigação de cada caso, para termos um mapa da prevalência, dos diagnósticos e também ofereceremos o acompanhamento à família'', afirmou a neurologista, que lembra que ela própria realiza há um ano uma pesquisa a respeito de distúrbios do sono em pacientes de Parkinson. ''Há muito a ser estudado na área''.
O Ambulatório do HC contemplará pacientes de 98 municípios do Norte do Paraná, o que abrange seis regionais de saúde. O chefe da 17 Regional, Gilberto Martin, explica que não foi feito nenhum levantamento específico de quantas pessoas o local poderia atender, mas ele estima que, apenas em Londrina, entre 700 e 1.000 pacientes poderiam ser atendidos. ''Os remédios serão repassados pela Central de Medicamentos do Paraná (Cemepar). A maior parte dos recursos é federal, mas também entra dinheiro do governo estadual'', lembrou.
Em Londrina, o Grupo de Alzheimer realiza amanhã, a partir das 16 horas, uma reunião na Rua Mato Grosso, 585, região central. Frequentador dos encontros, Júlio César Rodrigues de Moraes, proprietário de uma recém-criada firma de prestação de serviços para condomínios, relata que nunca teve dinheiro para comprar os remédios para a mãe, que tem Alzheimer há três anos.
''O medicamento custa uns US$ 800. É demais, tenho cinco irmãos, e a única que se dispõe a ajudar não tem condições financeiras. Os últimos dois anos foram problemáticos'', contou ele. Moraes conta que a mãe, aos 67 anos, está no estágio intermediário da doença. ''Ela, que já foi uma cozinheira excelente, não consegue mais preparar nenhuma comida'', lamentou.


