Ambulantes voltam ao Terminal Urbano
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segunda-feira, 25 de outubro de 2004
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Vendedores ambulantes voltaram a ocupar o Terminal Urbano de Transporte Coletivo (Área Central de Londrina) pouco mais de um mês depois do fim das reformas de instalação das escadas rolantes e do elevador. A Companhia Municipal de Transito e Urbanização (CMTU) havia proibido definitivamente o comércio no local. Eles travam um duelo com os fiscais para dar continuidade às atividades, enquanto muitos usuários afirmam preferir as lanchonetes e lojas, em detrimento das benfeitorias promovidas pela Companhia. A regularização dos vendedores, a princípio, está descartada pela CMTU.
Desempregado e responsável por dois filhos pequenos, Julio César da Silva, 21 anos, afirma saber das proibições impostas pela CMTU para a venda no local, mas mantém o comércio de balas de goma há três meses, faturando até R$ 20,00 por dia. ''Não tenho alternativa. Vivo em um hotel e tenho que pagar diária de R$ 8,00. Também tenho meus filhos e não posso deixá-los sem comida'', alega.
Os desentendimentos com os fiscais, segundo ele, são constantes. ''Alguns deles são educados e dizem para a gente dar uma volta, ir para outro lugar. Mas outros são mais ríspidos e ameaçam tomar nossos produtos se continuarmos por aqui'', descreve Silva.
Situação semelhante é descrita por um adolescente de 17 anos, que também vende balas para ajudar na renda da família. ''Minha mãe está desempregada e não tem dinheiro suficiente para a gente. Não temos escolha. Sabemos que é ilegal, mas precisamos de dinheiro'', explica.
A presidente da CMTU, Rosimeire Suzuki, conta que a companhia mantém 10 funcionários por turno trabalhando no Terminal. O fim completo do comércio, segundo ela, é virtualmente impossível, mas necessário. ''O Terminal é um local de trânsito para pedestres. Não há motivos para o funcionamento de lojas ou qualquer tipo de comério lá dentro, o que só atrapalharia o trânsito e poderia até comprometer a segurança'', afirma. ''É por isso que não consideramos a possibilidade de regularizar a situação de qualquer vendedor que esteja trabalhando lá dentro'', diz.
Ainda segundo a presidente, a fiscalização, que é constante, deve ser intensificada nos próximos dias. ''Mas na prática não há como retirar os ambulantes de lá. Se um fiscal chega perto deles, eles recolhem os produtos e saem andando. O trânsito pelo terminal com produtos a tiracolo é absolutamente legal'', justificou.
Usuários do Terminal consultados pela reportagem da Folha apóiam a volta do comércio no local, mesmo em detrimento das escadas rolantes e elevadores instalados onde antes funcionavam lanchonetes, bancas e até transmissoras de TV. ''Não acho que o comércio prejudicava a segurança. Acho que era melhor ter deixado como era'', disse o pedreiro Alcino Pereira. ''A escada rolante é sem dúvida um benefício, mas entre elas e o comércio, prefiro o comércio'', escolheu o tecelão Acedino dos Santos. ''Os empresários que foram tirados daqui ainda podem escolher outro lugar para o comércio. Mas os empregados, como ficaram?''


