Londrina - Ambulantes voltaram a ocupar parte do centro de Londrina, em flagrante desrespeito à legislação. A FOLHA contou sete vendedores em menos de 100 metros na Avenida São Paulo. Nas proximidades do Museu de Arte, na Rua Sergipe, mais de 20. O grupo comercializava desde meias e sandálias até cigarros contrabandeados e DVD falsificado. Fiscais passam pela região e parecem não enxergar a ilicitude.
O Código de Posturas permite até 200 vendedores de rua no quadrilátero central desde que haja prévia autorização da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Caso contrário, o material comercializado deve ser apreendido e o vendedor punido com multa.
A lei, aprovada no primeiro semestre deste ano, estabelece regras para a comercialização. O vendedor não pode ''impedir ou dificultar o trânsito nas vias públicas e outros logradouros'', além de ''transitar e permanecer no passeio e calçadas, conduzindo carrinhos, cestas ou outros volumes grandes''.
No entanto, aquilo que prevê a legislação está longe da realidade local. De todos os vendedores entrevistados pela reportagem, apenas um afirmou ter autorização da CMTU. Porém, ele não portava o documento. ''Esqueci em casa'', afirmou. Uma ambulante foi vista deixando pertences nas caixas de energia do Museu de Arte.
''A CMTU parou (de fiscalizar), deixou o pessoal mais antigo trabalhar sossegado. Agora, esses camelôs eles pegam no pé. A rapaziada joga todos os produtos nas calçadas, não tem lugar fixo, só atrapalham'', comentou um vendedor, que comercializa alho há mais de 25 anos no centro.
Os ambulantes afirmam que as vendas estão abaixo do esperado, mas não abandonam o comércio informal. ''Antes vendia em média 160 panos de prato por dia, segunda-feira foram apenas 60. Essa queda atrapalha bastante, mas eu dependo disso'', confessou uma mulher, dizendo que lucra apenas R$ 0,30 por unidade.
''Tenho que trabalhar, não adianta, sobrevivo desse jeito porque é impossível pagar R$ 2 mil de aluguel em uma sala no Camelódromo'', desabafou Alex Garcia dos Santos, que vende óculos e carteiras. ''Pego esse material de terceiro. Ganho apenas R$ 3 por unidade vendida. Não consigo vender nem cinco por dia'', lamentou.
A CMTU promete realizar fiscalizações em breve. ''A gente depende do apoio da Guarda Municipal, até para evitar um coflito maior. Estamos desenvolvendo um plano de operação mais ostensivo para tentar minimizar esse problema. Deveremos fazer isso o quanto antes porque há uma grande preocupação por conta da aproximação do natal'', afirmou o diretor de Trânsito, capitão Diógenes Gonçalves.

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