Os ambulantes cadastrados para comercializar flores, velas e outros produtos nos emitérios estavam confiantes, mas no Jardim da Saudade reclamaram que a Companhia de Trânsito e Urbanização (CMTU) não demarcou os espaços com antecedência. Embora o comércio estivesse liberado desde sábado, a divisão teria sido feita apenas ontem de manhã. A CMTU declarou que iria orientar a ocupação dos espaços hoje pela manhã.
''Deu muita confusão porque ninguém sabia onde podia ficar'', apontou a diarista e florista de ocasião Valquíria de Paula. Segundo ela, só hoje será possível permanecer no local indicado pela CMTU. Mas o problema parece não ter interferido nas vendas. A voluntária na barraca dos Vicentinos, Regina Mota, apontou que ''os sorvetes venderam bastante''.
''É a primeira vez que trazemos produtos da floricultura e estamos vendendo bem'', apontaram Regina Violato, 54 anos, e Luiz Henrique Violato, 23 anos, mãe e filho, instalados no São Pedro. Eles haviam vendido até às 17 horas cerca de 40 vasos de crisântemos a preços entre R$ 2,00 e R$ 3,50.
Limpando sepulturas há 23 anos no São Pedro, Arlinda Gomes Pacheco, 58 anos, já está acostumada com a maior procura no Finados. ''Tenho minhas patroas, mas quando termino pego mais alguns para ganhar um troco a mais''. Ela cobra entre R$ 10,00 a 15,00 pela faxina. Acostumada com o silêncio do lugar, ela revelou que só uma vez sentiu algo estranho: ''Passei perto do túmulo de uma mulher que havia morrido no parto e ouvi uma criança chorando. Num outro dia, joguei água e fiz uma oração para ela.''(L.A.)

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