Pressionados pela Prefeitura Municipal para deixarem as ruas da região central de Londrina, os ambulantes foram até a Câmara pedir ajuda do Legislativo para conseguirem um local fixo para trabalharem. Eles querem que o Executivo consiga financiamento, que seria pago pelos ambulantes, para construir ou alugar um espaço onde possam vender suas mercadorias.
Irineu Garcia, que se colocou como representante dos vendedores ambulantes, entregou uma carta aos vereadores onde solicitam um local para trabalharem. ''Neste local, pedimos o financiamento (da Prefeitura ou da Caixa Econômica Federal) de uma construção, cujas parcelas sejam condizentes com a nossa situação econômica para que assim possamos pagar'', dizia o texto. As despesas seriam divididas entre aqueles que se transferissem para o novo espaço. Sugerem ainda que sejam cadastrados somente pessoas residentes em Londrina.
Garcia disse que a ajuda do município não seria similar à dada aos camelôs, no ano passado, quando a Prefeitura se comprometeu a repassar R$ 33 mil mensais até o início de 2005 para pagamento do aluguel do Shopping Popular. A ajuda está suspensa desde agosto deste ano, à pedido do Ministério Público, que exige também a devolução de mais de R$ 1 milhão já repassado aos camelôs. De acordo com o interlocutor, existem cerca de 100 ambulantes atuando na cidade e pelo menos 50 deles estariam dispostos a aderir à idéia e pagar pelo ''empréstimo'' junto à prefeitura.
O ambulante reclamou que no último sábado estaria vendendo ''pufs'' em uma área particular na avenida Madre Leônia Milito, seguindo sugestão da própria Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), quando foi abordado por uma equipe de fiscais que realizou a apreensão da mercadoria. Ele alegou lucrar entre R$ 400,00 e R$ 500,00 por mês com a venda dos produtos e que não teria condições de pagar a multa estipulada pela CMTU.
O vereador Paulo Arildo se comprometeu a intermediar as conversas com a CMTU. Sua primeira atitude será pedir a liberação das mercadorias apreendidas pela fiscalização. ''Já que foi dada (ajuda financeira) para os camelôs, nada mais justo do que ampliar isso para os ambulantes'', justificou o vereador. O presidente da Câmara, Orlando Bonilha, disse que os ambulantes poderão conseguir, no máximo, suporte técnico do Município.
O diretor de operações da CMTU, Álvaro Grotti Júnior, acabou com qualquer esperança dos ambulantes de conseguir ajuda financeira: ''Não podemos fazer disso um ciclo vicioso e não é essa a posição da administração. Não queremos que se repita a mesma situação do passado. Queremos qualidade de vida para a cidade'', completou. Ele rebateu as críticas de que as mercadorias apreendidas não estariam sendo inventariadas. ''Tem inventário, a pessoa tem direito à defesa e para reaver seus produtos tem que pagar a multa de R$ 150,00, independente do valor das mercadorias'', explicou. Ele finalizou dizendo que a ajuda aos camelôs ocorreu porque a administração herdou o problema, tinha o dever de resolver e a obrigação de fazer com que isso não se repetisse.

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