Ambulantes reclamam dos clandestinos
A chuva não impediu a visita aos cemitérios, mas comprometeu o lucro dos vendedores de flores. José Ricardo Quevedo é dono de uma loja em frente ao cemitério Parque das Oliveiras e há cinco anos fornece os arranjos para o dia de Finados. ''Ontem (quarta) o movimento foi ótimo, mas hoje (ontem) a chuva atrapalhou um pouco'', constatou.
A flor mais vendida, sem dúvida, foi o crisântemo, segundo Quevedo. Ele contou que investiu R$ 8 mil em flores rústicas, compradas diretamente de Holambra, no interior de São Paulo. Já o retorno, ''só dá para saber no fim do dia quando tudo acaba''.
Quevedo reclamou da concorrência desleal de alguns vendedores, que forneciam flores a um preço mais barato. ''Eles compram qualquer produto e conseguem baixar o preço, enquanto nós buscamos um produto de mellhor qualidade, mas não podemos vender por menos para não ter prejuízo'', assinalou.
O mesmo ocorreu com a família da florista Isabel Fernandes, que há 28 anos comercializa arranjos em frente ao cemitério Padre Anchieta. Segundo o filho dela, Paulo Fernandes, muitos vendedores ocuparam a frente do cemitério, ontem, de forma clandestina.
''Nós temos que reunir documentos, esperar um sorteio para escolher onde montar a barraca e ainda pagar R$ 26,85 pelo metro quadrado, enquanto eles chegam e já vão ocupando o espaço, sem nenhuma fiscalização'', reclamou Paulo.
De acordo com ele, foi esta ''concorrência desleal'' que atrapalhou as vendas da família no feriado. ''Nós buscamos as flores em São Paulo e eles compram por aqui, mais barato, e quebram a gente'', completou Isabel, que possui uma licença provisória para vender flores no local durante o ano todo.
Não só os floristas, mas os voluntários que arrecadavam donativos para o Asilo São Vicente de Paulo foram prejudicados pela chuva de ontem. Todo ano o grupo se divide entre os cemitérios da cidade para arrecadar fundos para as despesas e obras do asilo.
Neusa Gonçalves Lovo era uma delas. Ela permaneceu a manhã toda no cemitério Parque das Oliveiras e garantiu que as contribuições foram poucas. ''Faço o trabalho voluntário pela manhã e à tarde levo flores e acendo velas nos túmulos dos meus pais, minha irmã e meus sogros'', disse a voluntária, que acha gratificante ajudar os mais necessitados. ''Deus nos dá em dobro.'' (M.G.)





