Ambulantes reclamam de ofensiva da CMTU
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segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Vanessa Navarro<BR>Reportagem Local 
Vendedores ambulantes que trabalham no Centro de Londrina estão em pé de guerra com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Eles reclamam da fiscalização ''sem trégua'' dos últimos dias e apontam que têm sido ''perseguidos como marginais''. Na última sexta-feira, de acordo com o órgão, camelôs tentaram virar uma Kombi da CMTU e a operação do dia acabou sendo suspensa.
''Sempre teve fiscalização, mas agora está sendo o dia inteiro. Nem na hora do almoço eles dão trégua. Também precisamos viver'', defendeu o ambulante Eron de Almeida, 33 anos. Segundo um grupo de pelo menos 15 camelôs que conversou com a reportagem da FOLHA, a CMTU não tem mais se restringido a apreender mercadorias expostas no chão. ''Eles entram nas lojas atrás dos ambulantes. Uma moça que nem é camelô foi abordada porque desconfiaram da mochila dela'', relatou outro entrevistado.
Os ambulantes argumentam que não conseguem empregos formais, tampouco têm os privilégios de quem trabalha em ''camelódromos''. Um manifesto que vem sendo distribuído pelos camelôs no Calçadão cita o direito a uma vida digna garantido pela Constituição e destaca que ''os shoppings populares de Londrina não têm nada de popular''. O texto prossegue: ''Um box medindo dois metros quadrados custa em média R$ 20 mil. Se procurar para alugar o custo é de R$ 500,00 a R$ 600,00 mensais.''
''A gente sabe que a maior parte da mercadoria - CD, DVD, perfume, óculos - é ilegal, mas vai fazer o quê? Se formos à prefeitura, vão dar emprego para todo mundo?'', questionou Cristina da Silva Cândido, 29 anos. O autônomo Gilmar Rolim, 49 anos, que também trabalha na Área Central, prestou solidariedade aos camelôs. ''O poder público deveria cadastrá-los e permitir que pelo menos um representante de cada família pudesse vender aqui'', sugeriu.
A CMTU confirmou que as ações têm sido intensificadas, justamente para desencorajar os ambulantes a permanecer no Calçadão. Independente do produto vendido, esse tipo de comércio é proibido no local. Somente na semana passada, de segunda a quinta-feira, foram apreendidos nas ruas 1,2 mil CDs e DVDs, além de 50 frascos de perfume. O órgão avisou que irá prosseguir com as operações.
No início do mês, um camelô e um fiscal da CMTU trocaram agressões durante uma apreensão na Avenida Paraná (Centro) e tiveram que receber atendimento hospitalar. O vendedor foi preso. A Polícia Militar (PM) está dando apoio aos fiscais nas operações para evitar tumultos.


