Cascavel Vendedores ambulantes realizaram, na manhã de ontem, um protesto em frente à Prefeitura de Cascavel, contra a ação fiscalizatória desencadeada em parceria com a Receita Estadual, polícias Civil e Militar, Vigilância Sanitária, Fiscalização Municipal e Companhia Cascavelense de Transporte e Tráfego (CCTT). Durante o protesto, os ambulantes se reuniram com secretários municipais e tiveram com eles ríspidas discussões.
As maiores reclamações partiram de vendedores de lanches rápidos que foram impedidos de continuar trabalhando enquanto não estiverem com suas situações regularizadas. Alguns possuem alvará de funcionamento, mas não têm licença sanitária emitidada pela Vigilância Sanitária. ''Isso não está certo. São 17 pessoas em minha casa que dependem de meu trabalho'', reclamou o ambulante João Maria dos Santos, há 12 anos vendendo cachorro-quente no centro da cidade.
O ambulante Sérgio Paulo Coutinho disse que a prefeitura decidiu fiscalizar porque os ambulantes estão ''afetando'' a venda das lanchonetes. Ele acrescenta que está sendo formada uma associação que estará defendendo os interesses dos ambulantes. ''Vamos propor trabalhar apenas durante à noite. Assim, os donos de lanchonetes não vão ficar se preocupando tanto'', disse Sérgio, frisando que existem pelo menos 300 pessoas trabalhando como ambulantes em Cascavel.
Outra reclamação dos ambulantes foi a forma encontrada pelos fiscais para fazer a abordagem. Eles dizem que a presença da polícia na operação deixou transparecer que se tratava de uma ação contra marginais. ''Deveriam ter dado um prazo para que todos se adequassem e não chegar assim como se fôssemos bandidos. Fizeram terrorismo barato'', esbravejou Sérgio Coutinho.
Após muita discussão, os secretários municipais decidiram distribuir senhas e atender os ambulantes individualmente. Eles terão 15 dias para legalizar a situação. ''Só vai trabalhar quem estiver rigorosamente dentro da lei. Não podemos desrespeitar quem paga seus impostos em dia'', disse o secretário de Indústria e Comércio, Sérgio Terres, lembrando que a fiscalização continuará até que todos estejam legalizados.
A operação de fiscalização foi desencadeada após uma reunião entre o prefeito Edgar Bueno (PDT) e empresários que solicitaram uma ação mais rigorosa contra os ambulantes. Os empresários consideram ''injusta'' a concorrência.

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