Um pequeno protesto organizado por camelôs no Calçadão de Londrina (Área Central) na manhã de ontem terminou em tumulto e depredação parcial da sede da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Revoltados devido a uma apreensão de produtos para comercialização, os camelôs tentaram bloquear a saída do Terminal Urbano Central. Depois, um grupo de cerca de 40 pessoas se dirigiu à sede da companhia, em busca do material apreendido. Todo o protesto foi embalado por ameaças de morte aos agentes de fiscalização. Até o final da manhã de ontem, ninguém havia sido preso.
O tumulto começou na esquina do Calçadão com a Avenida Rio de Janeiro, onde o grupo de ambulantes se aglomerou para protestar contra a suposta apreensão de produtos pelos agentes de fiscalização. Segundo Álvaro César, um dos ambulantes, todo o material de cerca de 40 vendedores foi apreendido. ''Tínhamos guardado os produtos em uma locadora de vídeo para evitar a apreensão, mas os agentes, acompanhados dos policiais militates, invadiram a loja e pegaram tudo'', disse César, destacando ainda que teria perdido um volume em dinheiro, que estava dentro de uma mochila, também apreendida.
Revoltados, os ambulantes exigiram a devolução dos produtos junto aos PMs. ''Se não devolverem, vamos matar os fiscais da CMTU. Esse tal de 'Duarte' vai perder as pernas'', chegou a ameaçar um deles. Logo eles se dirigiram ao Terminal Urbano Central (distante três quadras), onde, armados com paus, tentaram bloquear a saída dos ônibus coletivos. Dois PMs que faziam o patrulhamento no local demoveram rapidamente os ambulantes da tentativa. ''Também viemos quebrar as viaturas da CMTU, pois se eles nos deixaram no prejuízo, também vamos dar prejuízo pra eles'', voltou a ameaçar um dos ambulantes.
Depois de outra rápida reunião com outros soldados da polícia, os vendedores decidiram ir até a sede da CMTU, na esquina da Avenida Juscelino Kubitschek com a Rua João Cândido (Área Central), para reaver os produtos. Quinze deles invadiram o setor de atendimento e protocolo da companhia e destruíram parte dos equipamentos. Cinco funcionários trabalhavam na sala no momento da invasão, mas ninguém foi ferido. O grupo se dispersou logo após a depredação.
O diretor de Trânsito e Fiscalização da CMTU, Álvaro Grotti Júnior, considerou ''esperada e equivocada'' as atitudes dos ambulantes. Ele confirmou a apreensão de material de somente oito vendedores, o que vem ocorrendo sistematicamente há cerca de duas semanas, quando a companhia decidiu intensificar a fiscalização para coibir o comércio irregular no Centro. Os prejuízos inflingidos à companhia também não foram calculados, mas o diretor não acredita que tenham sido grandes.
De acordo com o tenente Marcelo Nascimento, do 5º Batalhão de PM, tanto as imagens captadas pela imprensa quanto as do circuito interno da companhia serão requisitadas pelas autoridades para facilitar o reconhecimento dos agressores. ''Eles ainda estão em estado de flagrância e, assim que reconhecidos, podem ser presos a qualquer momento'', resumiu. A presidente da CMTU, Rosimeire Suzuki, confirmou o registro de queixa junto à polícia, que promoveria diligências para prender os agressores durante a tarde.

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