Ambulantes em situação sub-humana
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sábado, 24 de janeiro de 2009
Marcela Rocha Mendes<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Trinta e duas pessoas foram encontradas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), na madrugada de ontem, sendo transportadas em condições consideradas sub-humanas em um caminhão que seguia de Patos (PB) para Chapecó (SC). O grupo, sendo um adolescente de 14 anos, estava alojado no baú do veículo dividindo espaço com mercadorias de couro que seriam vendidas no estado vizinho.
Segundo o chefe de operações da PRF, Marcelo Cidade, o caminhão foi abordado no km 95 da BR-116, com objetivo de combater o narcotráfico. Ao encontrar os homens em condições de maus-tratos, os agentes apreenderam o motorista e o dono do caminhão e acionaram o Ministério Público do Trabalho (MPT). De acordo com Cidade, os homens estavam com muita fome e os policiais arrecadaram dinheiro para comprar alimentos para os trabalhadores.
De acordo com o procurador do trabalho Ricardo Bruel da Silveira, o proprietário do caminhão e das mercadorias, Dennys Lucena de Araujo, foi autuado por transporte irregular de passageiros, contratação de trabalho sem vínculo empregatício e aliciamento de menor. Ele receberá uma multa de cerca de R$ 8 mil pelas acusações e ainda terá que pagar o retorno dos trabalhadores, um custo estimado em R$ 14 mil. Na tarde de ontem, o transporte do retorno já estava sendo viabilizado pelo MPT com o Sindicato das Empresas de Transporte do Paraná.
Araujo nega que tenha contratado os homens. ''Eu comprei o caminhão parcelado e os R$ 5 mil em mercadoria. Aí nos reunimos para virmos juntos. Eles me dariam R$ 1 por produto para pagar a viagem'', explica. Ele afirma não ter tido conhecimento que um adolescente integrava o grupo e que essa era a primeira vez que fazia o trajeto com um caminhão.
Segundo Cleber da Silva Pereira, 26 anos, um dos trabalhadores que estava no baú, todos decidiram fazer a viagem por conta própria, não houve agenciamento. ''Faz 50 anos que o pessoal faz isso. Essa já é minha quarta vez. Rachamos as despesas e depois, chegando em Chapecó, ia ser cada um por si por três meses, para depois voltar para casa'', conta. Eles venderiam chapéus, carteiras, capas para celular e cintos de couro. Ele diz que a viagem vale a pena e que o dinheiro arrecadado no período ainda ajudaria nas despesas da família por mais um mês após o retorno.


