Vendedores ambulantes de bebidas estão arriscando a vida no trecho urbano da BR-376 em Sarandi (7 km a leste de Maringá) para tentar ganhar até R$ 10,00 por dia. São grupos com mais de 10 ambulantes que ficam nas duas margens da rodovia de acesso ao trevo do município. A concorrência aumentou nos últimos anos e reduziu a renda dos vendedores.
Além de cansativo por causa dos dias de sol, o trabalho dos ambulantes é perigoso. Eles andam entre caminhões, carros e motos oferecendo as bebidas e quando o sinal abre quase não há tempo para desviar dos veículos. O malabarismo fica ainda mais complicado porque os vendedores têm menos de um minuto para tentar convencer os motoristas a comprar água, suco ou refrigerante.
Desde os 13 anos de idade vendendo bebibas no trevo, o ambulante Ezequias Mendes da Silva, hoje com 19 anos, conta que não tem outra alternativa de trabalho. Ele afirma que ganha entre R$ 6,00 e R$ 7,00 por dia para ajudar a família. ‘‘Meu pai também não tem trabalho fixo’’, diz Silva. Ele lembra que o fato de ter que trabalhar para sobreviver desde menino trouxe como consequência a falta de qualificação. ‘‘Vou tentar terminar meus estudos, mas acho difícil conseguir emprego por aqui.’’
Para o vendedor José Máximo dos Anjos, 56 anos, a falta de vagas no mercado de trabalho é ainda pior para as pessoas mais velhas. Há sete anos vendendo sucos no trevo, Máximo diz que antes trabalhava como porteiro. ‘‘Nunca mais consegui um emprego’’, ressalta o vendedor. Máximo conta que ganha cerca de R$ 300,00 por mês vendendo suco todos os dias. ‘‘Quando chove ou faz frio complica mas sempre estou aqui’’, completa. Ele cita que o gasto mensal com aluguel, água, luz e alimentação consome toda a renda. ‘‘Graças a Deus que em casa ninguém fica doente’’, diz.
Em Maringá, a prefeitura proibiu a venda ambulante em cruzamentos de ruas e avenidas. Apenas a distribuição de panfletos é permitida. Em Sarandi, a prefeitura não intervém no trabalho dos ambulantes. ‘‘A polícia só pede para tomarmos cuidado com o trânsito’’, conta Máximo. Ele afirma que apesar do perigo da rodovia, nos últimos anos presenciou apenas um atropelamento. ‘‘O negócio é ser rápido’’, afirma.

mockup