Ambulantes continuam na mira da CMTU
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domingo, 17 de abril de 2005
Mariana GuerinReportagem Local 
''Batalhamos com eles todos os dias''. Assim o ambulante Francimar Alves da Silva definiu o clima vivido pelos vendedores informais que trabalham no Calçadão de Londrina e fogem diariamente da fiscalização da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Há apenas um mês vendendo cintos e carteiras no local, Silva sustenta a esposa e uma filha que mora com parentes no Norte do Brasil com os cerca de R$ 100 que fatura nas vendas diárias. Ele ressaltou que apesar do pouco tempo em Londrina, já teve parte de suas mercadorias apreendidas. ''São pelo menos 200 peças, que somam um total de R$ 2 mil, que ainda não pude resgatar'', afirmou. Durante a reportagem, Silva foi alertado por outro ambulante que passava pelo Calçadão de que a entrevista poderia comprometê-lo com os fiscais.
Enquanto os ambulantes sofrem com a pressão, os hippies continuam ocupando o Calçadão sem problemas. Segundo o artesão argentino Martin Alonso, que trabalha em Londrina há 4 anos, os fiscais têm recolhido apenas as mercadorias dos ambulantes.
Questionado sobre o assunto, o diretor de operações da CMTU, Álvaro Grotti Júnior, confirmou que as fiscalizações acontecem de segunda a sexta-feira e que as apreensões são constantes, principalmente de CDs, cigarros e perfumes. Ele explicou que os ambulantes têm sete dias para apresentar uma defesa à companhia e que os produtos podem ser retirados mediante o pagamento de uma multa de R$ 150. ''Já os CDs e cigarros apreendidos são encaminhados à Polícia Federal'', completou Grotti Júnior.
Segundo ele, até mesmo os vendedores que não conseguem espaço no Centro da cidade e partem para avenidas menos movimentadas para comercializar pufs, redes e móveis de vime estão em situação irregular. ''A legislação permite o trabalho de apenas 120 ambulantes e Londrina já superou este limite. A Prefeitura tem investido na geração de empregos para tirá-los da informalidade'', argumentou. Para Grotti Júnior, os hippies também são considerados ilegais, mas a política adotada pela CMTU é diferenciada. ''Eles estão sendo encaminhados para feiras municipais de artesanato. Muitos até já participam da Feira do Feito a Mão, aos domingos'', finalizou.


