Os 17 vendedores ambulantes que retornam no dia 10 de dezembro à calçada do Terminal Urbano de Londrina, em reforma desde o final de abril, conheceram ontem o protótipo do carrinho que vão usar para a venda de alimentos. Apesar de todo o planejamento da equipe de arquitetos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), responsável pelo projeto, o resultado dividiu opiniões quanto ao tamanho e à suposta falta de segurança oferecida pelo equipamento, executado pela indústria metalúrgica Parquelândia, da Zona Leste da cidade.
Para a maioria dos ambulantes, a dimensão de 80 x 90 cm apresentada no protótipo é insuficiente para o bom andamento do trabalho. ''Não vai caber quase nada, especialmente no setor de frios. Mas não temos muita alternativa: ou aceitamos logo esse protótipo, ou até dezembro não temos algo pronto e não podemos voltar'', apontou a vendedora de pipoca Higina dos Santos, de 32 anos. A colega de profissão Marta de Oliveira, 45, é taxativa. ''Não concordamos com esse protótipo: é pequeno e caro demais'', afirmou, referindo-se ao cálculo estimado de R$ 2 mil que deve ser cobrado pela empresa. O proprietário, Mauro Oliveira, justifica: ''O carrinho vai ser todo em inox; isso encarece''.
Outra questão que gerou discussões foi a localização do botijão de gás, dentro do carrinho; os ambulantes preferente colocar o gás do lado de fora. ''Dentro é muito perigoso, pois fica próximo demais da chapa. Existe um risco de incêndio, o que já ocorreu'', disse o vendedor Celso Cerqueira, 62 anos.
Por outro lado, a diretora de operações da Companhia Municipal de Transporte e Urbanização (CMTU), Rosemeire Suzuki Lima, alega que o tamanho já foi discutido em reuniões anteriores com o grupo. Quanto ao gás, ela acredita que o risco é maior com o botijão exposto às condições climáticas. ''O protótipo foi desenvolvido dentro de critérios de segurança determinados pelos arquitetos da UEL. Não se pode alterar agora aquilo que exigiu todo um estudo prévio'', apontou.
Questionado sobre as condições de segurança do carrinho, o arquiteto responsável pelo projeto, Otávio Yassuo Shimba, indicou que estão previstas duas aberturas para ventilação nos originais. ''E está previsto botijão pequeno, não esse de 13 quilos'', completou. Sobre a possibilidade de mudança no projeto, ele disse que ''se começarem a sofisticar muito, esse vendedores terão que ser transferidos para uma loja. E eles são ambulantes, até onde sei'', alfinetou.

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