O espaço no centro de Londrina está cada vez menor para comportar interesses e atribuições da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e ambulantes. O único ponto solucionado até agora é em relação aos camelôs que ocupavam as avenidas São Paulo e Leste-Oeste, transferidos para o Shopping Popular. Os ambulantes que atuam na região central estão sem lugar para trabalhar.
O vendedor de pastéis Estevão dos Santos, de 36 anos, que desde 1983 comercializa seus salgados na Avenida São Paulo, reclama que na quarta-feira um fiscal da CMTU entregou um documento solicitando que ele se retirasse do local em 20 minutos. ''Fiquei sem trabalhar até domigo. Na segunda coloquei a barraquinha de novo e o fiscal me deu 10 minutos para sair do local. Estou sem trabalhar'', lamentou, acrescentando que não tem outra fonte renda.
Outro ambulante que teve seu alvará cassado é Pedro Veríssimo da Silva, de 74 anos. Há seis anos ele vende alho na esquina da Avenida São Paulo com a Rua Benjamin Constant. ''Me trocaram de ponto mas não deram outro alvará.'' Outros vendedores receberam documentos pedindo que eles se dirigissem à CMTU. Todos já trabalhavam nos seus pontos há vários anos e reivindicam condições para trabalhar. ''Os camelôs não tinham alvará e deram lugar bom para eles. Nós queremos nosso direito de continuar no nosso ponto'', disse Maria Cícero Castro Gomes, que vende frutas e verduras na esquina da Rua Sergipe com a São Paulo. O presidente da associação da categoria, José Ladislau, cobra uma solução da CMTU.
Os ambulantes se defendem através da Lei 8.436, de 26 de junho de 2001, que garante a existência de 200 pontos para os ambulantes no quadrilátero central (entre a Avenidas Leste-Oeste, Juscelino Kubtischek, Higienópolis e Rua Duque de Caxias). O presidente da CMTU, Wilson Sella, disse que a lei garante até 200 pontos. ''Pretendo remanejar essas pessoas para os bairros. Vamos encontrar uma alternativa para eles'', declarou. Sobre as pessoas que tinham alvarás para atuar na área central ele afirmou: ''houve um equívoco e teve muita politicagem''.
Sella está sendo criticado pelo presidente da Acil, David Dequêrch. ''O Sella disse a uma emissora de rádio local, no dia 9 de janeiro, que a culpa da existência dos ambulantes era da Acil que não pedia fiscalização'', alfinetou. Em virtude disso, desde o dia 13 a associação tem protocolado diariamente um requerimento pedindo fiscalização à CMTU com a lista dos vendedores.
O presidente da CMTU rebateu. ''Nunca falei isso, ele deturpou tudo. O que eu quero é uma parceria pé no chão. Quando um ambulante de capa de celular fixar um ponto no chão que a Acil e os comerciantes dêem apoio'', disse. ''A impressão que dá é que o único problema da cidade são os ambulantes e isso é pequeno perto do porte da cidade.'' Ele reafirmou que a partir de março a fiscalização será reforçada.
Sobre os artesãos da praça Marechal Floriano Peixoto, que também terão que deixar o local onde estão há 28 anos, Sella disse que está procurando um lugar para colocá-los.

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