O atendimento do Siate segue padrões internacionais, mas poderia salvar mais vidas se tivesse mais ambulâncias, transporte aéreo-médico e atuasse também na Região Metropolitana. Este é o resultado de uma pesquisa desenvolvida pelo cirurgião Ricardo Rydygier, médico do Hospital Evangélico e do Siate.
Em sua tese de doutorado, Rydygier analisou os casos de 103 pacientes mortos em acidentes de trânsito entre setembro e outubro de 1995. Quase metade das vítimas morreu em colisões e 42% em atropelamentos, número que coloca Curitiba com um dos maiores índices de atropelamentos do mundo. Em países desenvolvidos a incidência é de 14%.
Para atender cerca de dois milhões de habitantes, o Siate tem hoje oito ambulâncias, enquanto em San Diego, na Califórnia, a proporção é de 19 ambulâncias para 2,2 milhões de habitantes. Nos casos estudados pelo médico, o Siate conseguiu atender 60% das chamadas. O tempo de chegada ao local do acidente (em torno de 10 minutos) foi considerado satisfatório, mas o percurso até o hospital foi em torno de 40 minutos - 10 a mais do que o recomendado. Das 103 vítimas, 60% morreram antes que a ambulância chegasse e 15% durante o transporte. Das que chegaram vivas no hospital, 70% morreram no primeiro dia.
Ricardo Rydygier considera que a mortalidade em acidentes pode diminuir com medidas de prevenção. A impunidade também contribui, segundo ele, para que o motorista esteja cada vez mais mal educado. ‘‘A fiscalização sobre o uso do cinto de segurança foi intensa no início e depois parou. Se o mesmo acontecer com o novo Código de Trânsito, teremos uma lei a mais para ser descumprida’’. (M.K.)

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