Ney de SouzaO prefeito Harry Daijó e as máquinas que fazem a drenagem da nascente do Rio MonjoloA Prefeitura de Foz do Iguaçu pretende destinar 16% do seu orçamento anual - hoje fixado em cerca de R$ 140 milhões - para aplicar em projetos ambientais. Nos quatro anos, a intenção é investir cerca de US$ 68 milhões. Boa parte desse montante será investido na despoluição dos rios que cortam a cidade. O primeiro projeto, a drenagem da nascente do Rio Monjolo, está recebendo cerca de US$ 150 mil em investimentos.
A realidade Rio Monjolo há 15 anos era outra. Peixes das espécies tilápia, bagre e lambari eram pescados com frequência. Garças e patos também faziam parte da paisagem natural do rio, que nasce numa área urbana de Foz do Iguaçu (região leste) e morre no Rio Paraná. Antes de desaguar no ‘‘Paranazão’’, ele corta uma extensa área pertencente ao 34º Batalhão de Infantaria Motorizado.
Hoje, algumas aves ainda insistem em viver na lama do Rio Monjolo, que recebe esgoto clandestino. Muitos animais foram capturados e estão no Refúgio Biológico da Usina de Itaipu. Só retornam ao local depois da conclusão da drenagem. ‘‘Esses bichos vivem nessas águas, porque são teimosos’’, diz o prefeito. Quando ficar pronto, o Parque do Monjolo terá 256 mil metros quadrados e um lago de 7,5 mil metros quadrados de águas limpas.
Daijó quer aplicar US$ 500 mil somente nos projetos do Parque Linear do Rio Boicy, Restauração de Fundos de Vales e num projeto denominado ‘‘Palafita’’, pelo qual os moradores receberão casas que serão construídas acima do nível do rio, mas próximo das margens. Os moradores farão o trabalho de sentinela. Daijó também tem sinal verde do Banco Mundial, que promete emprestar US$ 100 mil para investimentos em trabalhos de conscientização.
O prefeito Harry Daijó (PPB) ainda não tem estimativa de quanto gastaria para despoluir os rios de Foz do Iguaçu. Ele calcula que, se houvesse investimento maciço, seriam necessários oito anos de trabalho, principalmente direcionados para a conscientização.
São JoãoO Ibama e o Instituto Ambiental do Paraná vão se engajar na recuperação do Rio São João, que nasce em Santa Terezinha de Itaipu (a 22 quilômetros de Foz do Iguaçu), corta 68 propriedades rurais e deságua no Rio Iguaçu, dentro do Parque Nacional. Cerca de 60% do rio margeiam lavouras de diversas culturas e 40% estão dentro do parque.
Um estudo na Sanepar aponta a presença de agrotóxicos, lixo e coliforme fecal nas águas do Rio São João. Funcionários da Sanepar e do IAP e voluntários do Colégio Agrícola de Foz do Iguaçu vão fazer o trabalho de conscientização entre os agricultores e plantarão 80 mil mudas de árvores para recuperar a mata ciliar. ‘‘Isso, na verdade, é um socorro ao rio’’, comenta o ecologista Jackson Lima, empenhado na preservação do meio ambiente em Foz do Iguaçu.

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