As brigas nas escolas geralmente têm motivos banais, mas o grau de agressividade dos estudantes está deixando pais, professores e diretores dos colégios apreensivos. De acordo com o diretor do Colégio Rodrigues Alves, Alcides Urber, a violência na escola é uma extensão do que ocorre em casa e no bairro onde o estudante mora.
Ele afirma que a agressão entre colegas é comum e quase sempre a causa é um problema gerado fora da escola: ‘‘Um colega se desentende com outro por qualquer motivo e depois vem brigar aqui na escola, geralmente na hora da saída. É comum também que o estudante chame outros colegas do bairro que ficam à espera da vítima em frente do colégio’’.
Se a violência está se tornando comum entre adolescentes, no Colégio Rodrigues Alves, conforme Urber, a agressividade e a formação de gangues já começa a fazer parte da realidade dos pré-adolescentes, meninos de 10 a 12 anos. Recentemente, um menino de 9 anos foi ao banheiro do colégio e teve as roupas inteiramente rasgadas por canivete.
O menino não soube identificar o agressor e algum tempo depois foi novamente agredido por um estudante de 13 anos. A mãe do estudante, que pediu para não ser identificada, disse que a direção do colégio não tomou nenhuma providência e por isso tirou os dois filhos do estabelecimento. O diretor se defende e diz que os estudantes, principalmente os que estão matriculados de manhã e à tarde, estão cada vez mais agressivos.
A diretora do Instituto de Educação, Norma Leandro, também afirma que o jovem está mais agressivo e é preciso muito esforço para tentar evitar as brigas dentro e fora do colégio. ‘‘Acredito que o volume de informações que o jovem recebe e a desestruturação familiar são fatores que contribuem para que o adolescente fique mais agressivo’’.
A violência dos estudantes já não surpreende a diretora, que diz contar com uma equipe de professores e orientadores competentes para lidar com a situaçãoões mais diferentes. ‘‘Sabemos que o jovem está mais agressivo e por isso tentamos de tudo para alimentar o sentimento de amizade, fraternidade e companheirismo entre os estudantes’’. O colégio incentiva atividades como encontro de jovens nos finais de semana e palestras com a presença de padres e pastores.
A diretora afirma que a maioria dos estudantes atualmente não respeita os adultos e que recentemente um aluno chegou a jogar uma carteira sobre uma professora. Nesse caso ocorre a expulsão, mas a diretora afirma que nem sempre este procedimento é entendido pelos pais. ‘‘Temos pais maravilhosos, mas há outros que superprotegem seus filhos e não aceitam críticas’’, diz.
Além da agressividade do estudante, a diretora aponta como uma das principais dificuldades no tratamento com o adolescente a falta de autonomia de professores e diretores sobre o aluno. ‘‘O professor ou diretor alterar a voz com o estudante eles podem ser acusados de autoritários’’.
No começo do ano, segundo a diretora, um estudante do estabelecimento de ensino foi confundido com outra pessoa e foi violentamente agredido na frente do instituto, na saída da aula. A agressão ocorreu por volta das 17 horas. O estudante teve fraturas em diversas partes do corpo e um policial que estava passando conseguiu identificar a maioria dos agressores.

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