Ambiente extra-familiar influencia comportamento
Curitiba- O psiquiatra e psicoterapeuta Içami Tiba discorda que a educação na infância tenha reflexo na adolescência ou na vida adulta. ''Não existe mais isso. Não é porque foi uma criança agitada que vai ser um adolescente agitado'', ponderou. Diferente da opinião retratada pela psicóloga Lídia Weber em sua obra ''Eduque com Carinho'', o recordista de vendas de livros sobre o tema acredita que é o ambiente extra-familiar que influencia no comportamento. ''A grande diferença é que, antigamente, a família tinha força. Com o jovem, hoje, quem tem força é turma. As coisas vão mudando conforme o ambiente que ele vai frequentando. O aluno quando estuda em uma escola tem um comportamento e se ele mudar de escola vai ter um outro comportamento. É isso que está deixando os pais de ponta-cabeça.'', declarou.
Tiba, que lançará em setembro o livro ''Adolescente: Quem Ama Educa'' uma continuação de sua obra ''Quem Ama Educa'', de 2003 , defende a necessidade de os pais se atualizarem para saber como educar os filhos adolescentes da atual geração. ''Biologicamente pouca coisa mudou, mas vivencialmente muita coisa. A estruturação do cérebro é diferente, a estruturação de vida é diferente, o conceito de família dentro deles é diferente. Tem muita coisa muito diferente que os pais não podem simplesmente achar que só porque são pais eles vão respeitar'', ponderou.
Para o psicoterapeuta, a estrutura familiar não segue mais o modelo da pirâmide, que colocava o pai no topo, como o chefe da família, a mãe como auxiliar e os filhos na base, em uma posição de submissão. ''A sociedade tirou os filhos muito cedo de casa, indo com dois anos para a escola. Tirou a mulher de casa para o trabalho. Com isso, a família teve que se reestruturar, sendo vivida de uma maneira diferente e não mais como antigamente, que sempre ficava uma mãe de plantão lá, esperando o filho'', observou.
Por essa razão, Tiba defende que no mundo moderno os pais têm que ser competentes para educar, estabelecer valores que ele chama de ''cidadania familiar'', mesmo à distância. ''Não dá mais para dizer: não estou em casa, então não tem quem eduque. Tem sim, tem métodos, tem outros recursos modernos que eles podem usar. Quem diz que não tem tempo para os filhos é porque administra muito mal seu próprio tempo'', advertiu. (A.L.)





